O Presidente da República alerta para os elevados custos dos empréstimos para as empresas de média dimensão, considerando que têm sido «bastante injustos» e «economicamente ineficazes».

«O meu país tem suportado os custos da fragmentação do mercado financeiro europeu. Os elevados custos dos empréstimos para as empresas portuguesas de média dimensão têm sido bastante injustos e, pior, economicamente ineficazes. Mesmo assim, as empresas portuguesas - especialmente as de média dimensão - têm conseguido resultados excecionais nos mercados internacionais nos últimos anos», afirmou o chefe de Estado português, Aníbal Cavaco Silva, em Estocolmo, no encerramento de um seminário económico que juntou empresários portugueses e suecos.

Apresentando a economia portuguesa como uma economia «aberta, com excelentes infraestruturas, condições naturais privilegiadas e um capital humano altamente qualificado», Cavaco Silva recordou, a propósito da crise que se abateu sobre a Europa, o «enorme esforço» que Portugal tem empreendido na realização de um ajustamento macroeconómico e financeiro, implementando «um importante e ambicioso programa de reformas estruturais, a fim de aumentar a flexibilidade e a competitividade da economia».

«As instituições internacionais reconhecem que as reformas estruturais estão, de um modo geral, no caminho certo e que as autoridades portuguesas demonstraram tanto uma elevada transparência como um aprofundado empenhamento em todo o processo», acrescentou Cavaco Silva, que chegou terça-feira a Estocolmo, para uma visita de Estado de três dias à Suécia.

Falando perante uma plateia de empresários suecos, além da ministra do Comércio da Suécia e do ministro da Economia português, o Presidente da República voltou a insistir na promoção de «relações económicas e comerciais mais estreitas» entre os dois países, classificando as empresas nacionais como «parceiros comerciais de confiança».

«Providenciamos elevados níveis de conhecimentos técnicos e detemos prestígio global em diversas indústrias específicas», acrescentou, lembrando que em Portugal a Suécia foi sempre vista como «país amigo».

«A Suécia tem sempre merecido a nossa confiança como parceira e conselheira desde os anos setenta, quando nos ajudou no planeamento e na implementação de relevantes programas sociais de saúde e de segurança social», recordou, manifestando a convicção de que as parcerias entre empresas suecas e portuguesas poderão ser bem-sucedidas.

Na sua intervenção, o Presidente da República aproveitou ainda para fazer uma apresentação dos produtos portugueses, começando pelos setores mais tradicionais, como os têxteis, vestuário e sapatos, passando pelas energias renováveis.

«Estou certo de que as possibilidades de cooperação que vão encontrar com empresas portuguesas resultarão em vantagens mútuas em termos de competências e de tecnologias», frisou.

A este propósito, Cavaco Silva destacou igualmente as «vantagens competitivas únicas» da localização de Portugal, que «é uma plataforma privilegiada de contacto com estes países, uma plataforma com uma rede já estabelecida e know-how operacional, aberta a empresas suecas interessadas em trabalhar com esses mercados».

O turismo mereceu igualmente uma nota na intervenção do chefe de Estado, que apresentou Portugal como um «destino turístico de topo, e não apenas devido às boas condições climatéricas», mas também por ser um «país afável e seguro, com uma longa e bonita costa, e também paisagens interiores de elevado interesse, com tradições e culturas seculares, e excelentes gastronomia e vinhos».

Já no final do discurso, o Presidente da República reforçou o convite ao investimento em Portugal e ao estabelecimento de parcerias, para que as relações económicas e comerciais sejam mais consonantes com a excelência das relações políticas entre os dois países.