É mais um recorde nos juros da dívida e que mostra que agora nem as compras que o BCE faz da nossa dívida conseguem acalmar o nervosismo dos mercados. As Obrigações do Tesouro a cinco anos fixaram esta terça-feira, logo ao início da manhã, um novo máximo, nos 8,849% e já voltaram a quebrar esse recorde, alcançando os 8,9950%, às 15h32, após o corte de rating de Portugal pela S&P. Este é o valor mais alto desde a entrada de Portugal no euro.

Embora tenham já aliviado ligeiramente, negociando nos 8,85%, as Obrigações do Tesouro desta maturidade continuam a caminhar a passos largos para a meta dos 9%.

Os juros a 10 anos estão igualmente em níveis perigosos, nos 8,170%. Esta manhã já chegaram aos 8,238%, ainda assim muito perto do máximo de 8,257%.

Para se ter uma ideia das duras exigências dos investidores no que toca a Portugal, a diferença entre aquilo que eles cobram em juros para adquirir dívida portuguesa em detrimento da alemã (a que serve de referência) está nos 487,7 pontos base. A léguas de distância, os juros na Alemanha rondam os 3,3%.

Se há uns meses a barreira dos 7% era tida como aquela em que Portugal deveria começar a equacionar um pedido de ajuda, a verdade é que agora a maior parte das maturidades ultrapassaram não só essa barreira como a dos 8%.

Entre o prazo a três anos até aos nove anos a escalada é já acima dos 8%: 8,39% a três anos, 8,45% a quatro, 8,58% a seis, 8,587% a sete anos, 8,41% a oito e 8,189% a nove anos.

O cepticismo não descola de Portugal. O nervosismo tem aumentado de intensidade sobretudo desde que o Programa de Estabilidade e Crescimento foi chumbado, dando lugar a uma crise política, na sequência da demissão do primeiro-ministro. De lá para cá, empresas, bancos e a própria República Portuguesa já sofreram cortes de rating.

Entretanto, continuam a vir a público opiniões sobre o resgate português.