O ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro, considerou esta sexta-feira que os portugueses devem estar orgulhosos pela forma como conseguiram manter a sua dignidade durante o processo de ajustamento.

«A nossa dignidade só pode ter estado em risco quando tivemos de pedir auxílio internacional para pagar salários e pensões dos portugueses. Mas a nossa dignidade foi valorizada pela forma como superámos essa crise», afirmou aos jornalistas, em Viseu, à margem da cerimónia de lançamento do Portugal 2020 na região Centro.

Na sua opinião, os portugueses devem estar orgulhosos por terem conseguido «manter a dignidade, recuperando credibilidade internacional e autoridade».

«Para nós exigirmos aos outros aquilo que nos devem, devemos assumir as nossas responsabilidades. Portugal fez isso com grande dignidade, ultrapassando a mais grave crise da nossa história democrática e isso é um orgulho para todos os portugueses», frisou.

Poiares Maduro reagia assim às declarações do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que afirmou na quarta-feira que a troika «pecou contra a dignidade» de portugueses, gregos e também irlandeses, reiterando que é preciso rever o modelo e não repetir os mesmos erros.

O primeiro-ministro também disse hoje não concordar com as afirmações de Jean-Claude Juncker. Durante o debate quinzenal desta sexta-feira, Passos Coelho garantiu que essa dignidade «nunca esteve em causa» durante o programa. 

O governante realçou que «Portugal cumpriu com as suas responsabilidades, ganhou credibilidade» e, por isso, vai «cada vez mais poder também exigir uma Europa que esteja no futuro em condições de enfrentar melhor desafios como aqueles que tem tido, que esteja em condições de promover processos de ajustamento mais equilibrados».

«É o esforço que o país fez, a credibilidade que reconquistámos, que nos trouxe autoridade para hoje estarmos em condições de também podermos dizer à Europa: nós fizemos a nossa parte, é importante que a Europa vá melhorando para poder fazer também cada vez mais a sua. Isso é produto da dignidade que os portugueses mantiveram ao longo de todo este processo», acrescentou.