Joseph Stiglitz, prémio Nobel da Economia em 2001, defendeu hoje, em Macau, uma reestruturação «profunda» da dívida de Portugal e teceu duras críticas às políticas de austeridade impostas pela troika na Europa.

«É preciso fazer uma reestruturação e quando a fizerem devem fazer uma reestruturação profunda. Se não for suficiente, vão voltar a ter problemas daqui a três anos, tal como a Grécia teve», disse Joseph Stiglitz, aos jornalistas, à margem do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla inglesa), que arrancou hoje e se prolonga até sábado.

A Grécia precisava de uma reestruturação, observou, defendendo que «não havia outra saída». Porém, apontou, cometeram um erro: «Não a fizeram, de uma forma tão profunda como deveriam ter feito. E, por isso, tiveram uma segunda reestruturação e estão a discutir agora uma terceira e hoje o Produto Interno Bruto da Grécia «é cerca de 25% inferior ao que era antes da crise».

Os países, tal como as empresas, quando ficam sobre endividados precisam de um recomeço e isso significa reestruturar, sustentou Joseph Stiglitz, indicando não conhecer o conteúdo do Manifesto dos 70, quando questionado se o assinaria.

Neste contexto, recordou que apoiou a reestruturação da dívida da Argentina, mas também «profunda».

«Tem de se ter cuidado: Quando se faz uma reestruturação superficial, cinco anos depois vai ter de se fazer de novo», alertou.

Com efeito, «a Argentina teve uma reestruturação muito profunda e o resultado que obteve foi um crescimento de 8%, o mais rápido crescimento em qualquer país do mundo à exceção da China», sublinhou.

Um crescimento que em países europeus como Portugal pode figurar como ilusão, segundo Joseph Stiglitz: «Quando falo com pessoas de governos de países como Espanha ou Portugal eles dizem: As coisas estão a melhorar. A crise acabou. E, em certo sentido [estão]: Eles estavam a cair de um precipício e deixaram de cair e começaram a crescer».

Contudo, como sustentou o Nobel da Economia, «o crescimento é tão lento que, a este ritmo, nunca mais vão voltar à normalidade. Mas, mesmo se começassem a crescer rapidamente ia demorar anos e anos».

«Penso que as políticas que têm sido impostas pela troika são contrárias às políticas sustentáveis. São políticas que farão com que o crescimento seja mais difícil no futuro», defendeu.

«O preço que estes países estão a pagar, particularmente os jovens, é enorme», defendeu o economista que, na intervenção que proferiu na abertura do MIECF, já tinha estabelecido um paralelismo entre a atual crise na Europa e a Grande Depressão.