O economista José Silva Lopes afirmou esta terça-feira que a taxa de juro sugerida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, para evitar um segundo resgate é o máximo «tolerável» e defendeu até que o limite devia ser mais baixo.

«Aquilo que [Rui] Machete disse pode não ser conveniente do ponto de vista diplomático, mas aquilo é o máximo de taxa de juro tolerável, até acho que devia ser mais baixo», salientou, acrescentando que «Portugal não tem a mínima chance de sobreviver com taxas de juro de mercado».

Silva Lopes, que falava na conferência anual da Ordem dos Economistas sobre o Orçamento do Estado para 2014, realçou que «a solução [no pós-troika] é tentar viver com o programa cautelar» que consistirá numa «espécie de garantia do Banco Central Europeu» para permitir obter um nível de taxas de juro «mais tolerável».

O economista defendeu ainda que a zona euro devia adotar regras rígidas com os países que apresentem 'superavit' (como a Alemanha) e não penalizar apenas os países com défice orçamental.

Silva Lopes criticou também a política «suicida» da União Europeia e considerou que a continuação da austeridade leva ao «caminho do abismo», defendendo «alguma federalização das finanças» e a mutualização da dívida.