O Banco Haitong, através do seu presidente executivo José Maria Ricciardi, propôs uma solução para o Novo Banco à margem do concurso público que teve como data limite 30 de junho. Dias antes disso, e segundo o jornal público, o banco chinês informou o Fundo de Resolução de que, com outros investidores, pode avançar com uma oferta de capitalização e de aquisição parcial do Novo Banco.

Nem o Banco de Portugal nem o Haitong confirmaram ainda a notícia, mas o jornal adianta que o encontro entre José Maria Ricciardi e o ex-secretário de Estado das Obras Públicas, Sérgio Monteiro, encarregue de vender a instituição, ocorreu nas instalações do Banco de Portugal no final de junho. Monteiro terá levado consigo membros da sua equipa.

Ricciardi terá explicado que o Haitong ponderava a entrada de novos investidores no Novo Banco, mediante a subscrição de um aumento de capital de 1.500 a 2.000 milhões de euros, para cerca de 30% das ações. A proposta implicava que o Fundo de Resolução ficasse acionista maioritário na mesma, até à dispersão em bolsa das ações a seu cargo.

Para Ricciardi, esta alternativa permitia existir uma fase de transição da marca, dando tempo para a reorganizar e reestruturar, diz o mesmo jornal, que garante ainda que ficou já acordado que o presidente executivo do Banco Haitong vai voltar ao Banco de Portugal em setembro para formalizar a proposta, caso o concurso público de venda, ainda a decorrer, se revele um fracasso.

Inicialmente, havia seis interessados no Novo Banco - três bancos e três fundos de investimento -, mas só quatro apresentaram uma proposta.

A estratégia do Haitong é em alguns pontos semelante ao que defendia Vítor Bento, no verão de 2014. Uma colsução na altura recusada pelo Banco de Portugal e pela ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque.

Agora, a 1 de agosto de 2016, o Novo Banco inicia uma nova fase com um novo presidente, António Ramalho, um dia depois de divulgados os prejuízos da instituição no primeiro semestre, que aumentaram para 362,6 milhões de euros.