O ex-ministro José Luís Arnaut e o partner António Esteves desempenharam papéis importantes e decisivos nos empréstimos da Goldman Sachs ao BES pouco tempo antes do banco colapsar, noticia esta segunda-feira a edição online do diário nova-iorquino «Wall Street Journal».

A operação, de 680 milhões de euros, foi acordada semanas antes de o banco ser intervencionado e gerou grandes prejuízos para a Goldman Sachs. Recorde-se que o BES colapsou no dia 3 de agosto.

O jornal refere que o empréstimo da Goldman Sachs ao banco «foi o resultado de um esforço concertado de meses envolvendo vários executivos seniores da Goldman» e que o contrato em si foi aprovado «por pelo menos três comités da Goldman».

O jornal realça ainda que Arnaut foi recrutado pela instituição norte-americana «devido à sua rede de contatos», da qual faziam parte o poderoso banqueiro Ricardo Salgado. Assim, Arnault ofereceu a ajuda da Goldman Sachs ao banco português e a António Esteves coube o objetivo de «criar uma estrutura complicada para obter esse empréstimo».

O jornal lembra ainda uma entrevista dada por José Luís Arnaut em Junho à «Antena 1», a defender o ex-líder do BES. Depois de se retirar da liderança, Arnaut diz que Salgado deixou «um banco robusto com capital e credibilidade».

José Luís Arnaut e o seu «partner» ainda não comentaram as informações.

Recorde-se que, do colapso do banco em agosto, só restou a separação da instituição em duas partes, por parte do Banco de Portugal. 

No chamado banco mau (bad bank), um veículo que mantém o nome Banco Espírito Santo (BES), ficaram concentrados os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas, enquanto no «banco bom», o banco de transição que foi nomeado Novo Banco, ficaram os ativos e passivos considerados não problemáticos.