A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou um resultado líquido negativo de 278 milhões de euros nos primeiros nove meses, que compara com o prejuízo de 130 milhões de euros no mesmo período de 2012, revelou hoje a entidade.

Apesar do recuo das provisões e imparidades, para 703 milhões de euros, quando, em setembro do ano passado ascendiam a 1,1 mil milhões de euros, estas continuam a pesar sobre os resultados do banco público.

«O pico das imparidades foi em 2011 e, desde então, temos assistido à tendência de redução das mesmas. Esperamos que esta tendência de descida das imparidades se mantenha», afirmou o presidente do Grupo CGD, José de Matos, num encontro com jornalistas em Lisboa.

Já a margem financeira baixou de 1,1 mil milhões de euros nos primeiros nove meses de 2012 para quase 700 milhões de euros, o que também ajuda a explicar o resultado líquido negativo da CGD entre janeiro e setembro.

Tal como o custo suportado pelo banco com os instrumentos híbridos convertíveis (CoCo) que estão nas mãos do Tesouro, que foi de 60,5 milhões de euros até setembro.

Sem este encargo devido pela ajuda recebida pela CGD do Estado para a sua recapitalização, a entidade teria apresentado um resultado líquido negativo de 217 milhões de euros.

Questionado sobre as expectativas que tem acerca do regresso ao lucro do grupo financeiro estatal, e se tal pode acontecer já para o próximo ano, José de Matos mostrou-se prudente: «Ainda é cedo para falar de 2014», sublinhou.

Mesmo assim, segundo a CGD, apesar da nova deterioração do resultado líquido, a gestão prevê «uma evolução anual menos negativa do que no ano de 2012», quando o prejuízo do exercício completo foi de 394,7 milhões de euros.

O ativo líquido da CGD ascendeu a 112,4 mil milhões de euros, face aos 117,5 mil milhões de euros apurados em setembro de 2012.

Entre janeiro e setembro, o crédito a clientes caiu para 71,2 mil milhões de euros, contra os 76,4 mil milhões de euros no mesmo período do ano passado.

Em sentido inverso, os depósitos de clientes cresceram de 65,6 mil milhões de euros para 66,3 mil milhões de euros.

Os custos operativos da CGD tiveram uma ligeira descida homóloga para 1,2 mil milhões de euros, com a reintrodução do pagamento dos subsídios de férias e de natal a contrariar a redução dos outros gastos do grupo.