Os juros da dívida pública portuguesa podem baixar mais, mas nunca regressarão aos níveis a que estavam antes do pedido de ajuda financeira e da chegada da troika a Lisboa, avisou esta terça-feira o presidente da Caixa Gerald e Depósitos (CGD).

José de Matos, que falava na conferência «Empresas na Caixa», no Porto, diz que «temos que reconhecer que o nível das taxas de juro da dívida pública ainda é demasiado elevado, mas temos que nos começar a habituar à ideia que, mesmo que o programa de ajustamento seja bem-sucedido, vamos viver no futuro com um nível de taxas e com um custo de financiamento superiores ao que tínhamos antes da crise. Não voltaremos a ter spreads de 10 pontos base em relação às taxas de juro alemãs».

«Estamos com um prémio de risco ainda excessivo, mas não virá para os níveis que tínhamos antes da crise», acrescentou.

O presidente da CGD dedicou ainda algum tempo da sua intervenção ao tema do desemprego, que considerou ser «de longe o principal problema» do país, especialmente o desemprego entre os jovens, já que a atual geração jovem é «provavelmente» a mais qualificada de muitas gerações e «um desperdício de recursos absolutamente inaceitável».

«Todos, empresas e bancos, temos de fazer o nosso melhor para conseguir inverter esta situação e conseguir evitar este desperdício de recursos que é absolutamente criminoso», advogou.

No que se refere ao crédito, o banqueiro identificou «algum desagravamento da restritividade dos critérios de concessão de crédito nos trimestres mais recentes. Do lado da oferta de crédito as coisas têm melhorado e isso é verdade para as pequenas e para as grandes empresas. Há muita concorrência, neste momento, no setor bancário pelos melhores riscos, o que é um excelente sinal», afirmou.

José de Matos prevê que «o crédito a particulares vai continuar a cair», enquanto o crédito às empresas revela «sinais de que já está a recuperar», sobretudo nas empresas exportadoras. Há alguns sinais mais encorajadores de alguma recuperação do investimento e há indicadores de retoma da atividade das empresas que, apesar de ser recente, é positivo», disse.

Por isso, a estratégia da CGD passa por reorientar a sua carteira de crédito dos particulares para as empresas, «designadamente para as pequenas e médias empresas que têm um impacto mais direto e imediato no nível de emprego».