O ex-ministro das Finanças e do Plano João Salgueiro afirmou que dentro do que Portugal estava a viver este é um "bom Orçamento" do Estado, que "ultrapassa as expectativas", antecipando uma luz verde "com cautelas" da Comissão Europeia.

À margem do lançamento do livro de Guilherme d'Oliveira Martins intitulado "Liberdade da Cultura: Preparar o 25 de Abril", João Salgueiro foi questionado sobre o Orçamento do Estado para 2016, que considera que "faz o possível para conciliar coisas que são difíceis e nesse aspeto ultrapassa as expectativas", esperando agora para ver se o conseguem pôr "de pé".

"Dentro do que estávamos a viver parece-me um bom Orçamento, o problema é saber se o que estamos a viver vai contribuir para resolver os problemas do país. Eu, o otimismo que sinto não é no Orçamento, é na estratégia que foi seguida", observou.

Sobre a posição da Comissão Europeia em relação ao Orçamento que hoje foi aprovado em Conselho de Ministros, o ex-ministro das Finanças e do Plano do VIII Governo afirmou que o mais provável é que seja dada luz verde.

"Não será 100%. Vão ter algumas cautelas e dizer que falta mais isto e mais aquilo, mas eu acho o mais provável que deem o ok agora porque criar uma crise agora, neste momento ainda é cedo, no meu entender", justificou.

Questionado se é do interesse da Europa que o OE2016 seja aprovado, João Salgueiro considera que "por um lado é, por outro lado não é".

"Por um lado eles não precisam de problemas, têm problemas que cheguem. Por outro lado precisavam de um bom exemplo para a Espanha ter mais sossego, como a Grécia também ajudou em relação a Portugal. Eles precisam de exemplos e é bom que os exemplos sejam em países pequenos, são mais baratos para eles", explicou.

No entanto, para João Salgueiro, a questão é outra já que "o país não ganha nada em continuar a iludir-se com problemas de curto prazo".

"É absurdo saber se é preciso mais austeridade ou menos austeridade. Isso está ao lado do problema. Nós temos 20 anos de ineficácia, há 20 anos que estamos a divergir em relação à Europa. Essa é a questão fundamental e é pena que não se encare esse problema de frente", lamentou.

O ex-ministro rejeita a ideia de que este Orçamento do Estado seja um teste a este Governo.

"Pode ser uma esperança, mas não é um teste", disse.

Para o economista, "o país tem vantagem em ter uma estratégia de convergência, mas se não for uma estratégia de convergência estratégica, para durar, não inspira a confiança que é indispensável".

 

"Porque dizer que nós estamos de acordo em 80%, só falta 20% não ajuda muito à confiança porque os objetivos são praticamente opostos em relação à Europa, por exemplo", exemplificou.

O Conselho de Ministros aprovou hoje a proposta de Orçamento do Estado para 2016 após seis horas e meia de reunião, documento que sexta-feira é entregue na Assembleia da República, disse à agência Lusa fonte do Governo.

A proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2016 será apresentada publicamente na sexta-feira, pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, após a sua entrega formal na Assembleia da República.