O antigo Presidente da República Jorge Sampaio considerou esta quarta-feira que Portugal e outros países da Europa do sul sofreram «uma aplicação severa e drástica» de medidas de austeridade de curto prazo só para reduzir o défice, noticia a Lusa.

«É preciso um debate pós-crise financeira na sociedade europeia, para perceber como o aumento da pobreza e das desigualdades condiciona o futuro da União Europeia», disse Sampaio, argumentando que «está em causa o modelo social europeu, principalmente nos países do sul da Europa, onde foi feita uma aplicação severa e drástica de medidas de austeridade centradas no curto prazo e unicamente movidas pelo intuito da redução dos défices».

Falando na sessão de abertura das Conferências de Lisboa, que decorrem hoje e quinta-feira na capital portuguesa, o antigo chefe de Estado lembrou que «um quarto da população nestes países está em situação de pobreza» e vincou o papel do Estado na suavização das desigualdades económicas entre os cidadãos.

«O verdadeiramente insuspeito World Economic Forum, na sua Agenda 2015, aponta para as desigualdades na riqueza e aumento do desemprego como as preocupações cimeiras dos líderes mundiais», disse, para sustentar que o Estado tem um papel fundamental na correção destes desequilíbrios.

«O Estado tem um papel insubstituível na correção destas desigualdades», disse, lembrando a tese do economista Joseph Stiglitz, segundo a qual «os mercados por si só não conseguem resultados eficientes e estáveis, por isso os Estados têm de corrigir isto».