São cada vez mais as vozes que defendem que o secretário de Estado do Tesouro, que tentou vender contratos de swap ao Governo português em 2005, quando era diretor do Citibank, devia demitir-se. Joaquim Pais Jorge diz que só lidava com os clientes do Citybank e que não tinha qualquer responsabilidade na conceção do produto, mas a sua função implicava também trabalhar em conjunto com os especialistas que vendiam os polémicos swap.

O comentador da TVI, Marcelo Rebelo de Sousa, junta-se às vozes que pedem a demissão do secretário de Estado do Tesouro. Para o comentador, a sua permanência no Governo «fragiliza» a ministra das Finanças e todo o Executivo.

O secretário de Estado afirmou na semana passada, em conferência de imprensa, que não tinha qualquer responsabilidade na conceção dos contratos swap e deu explicações contraditórias sobre a sua presença numa das reuniões onde o Citigroup tentou vender swaps ao anterior Governo, liderado por José Sócrates. O secretário de Estado disse ainda que não tinha qualquer responsabilidade na venda dos produtos derivados.

Mas, o certo é que, enquanto diretor do Citibank, Joaquim Pais Jorge trabalhava com o Estado. Em Portugal, os negócios do banco são feitos exclusivamente com clientes institucionais, lê-se no site do Citibank. «Esta área do Citi tem uma forte relação com entidades públicas e governamentais», refere ainda. Ou seja, com o Estado.