Portugal vai ter um fundo de coinvestimento de "centenas de milhões de euros" entre o Estado (com fundos europeus e comparticipação pública), business angels e capitais de risco para atrair os melhores investidores da Europa, anunciou esta quarta-feira o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos.

"Provavelmente, dentro de um mês, Portugal tornar-se-á no país da Europa com mais fundos para coinvestir. Isto é muito importante. Vamos usar este fundo para apoiar os melhores investidores e as suas escolhas, mas também para atrair os melhores investidores da Europa"

Na nova edição do Ativar Portugal - Startups, promovida pela Microsoft Portugal e que este ano está de olhos postos na internacionalização, o secretário de Estado levantou o véu a este fundo de coinvestimento, mas só será anunciado em detalhe em breve.

João Vasconcelos destacou que, "mais do que o dinheiro, é preciso um investidor que conheça o negócio, que traga inovação, ambição, conhecimento de gestão, desenvolvimento de produto ou crescimento".

"Não precisamos de uma pessoa que apenas distribui dinheiro. Provavelmente muitas ‘startups' precisam mais de ‘mentoring' [aconselhamento/orientação] do que de dinheiro. É o que queremos fazer com este fundo de coinvestimento", reforçou, citado pela Lusa.

O que se pretende com este fundo

O secretário de Estado quer trazer, por exemplo, "pelo menos um ou dois investidores de biomedicina ou farmacêutica", tipos de conhecimento que considera não existirem em Portugal.

"Mesmo no setor digital, queremos atrair esses investidores que estão em Londres, Berlim. É muito ambicioso, é muito dinheiro, são centenas de milhões para isto", afirmou.

João Vasconcelos lembrou que o Governo lançou na semana passada "o primeiro aviso sobre a linha de garantia mútua para apoiar investimentos até mil milhões de euros" e adiantou então que "nas próximas semanas vai anunciar e divulgar os avisos sobre estes fundos de cofinanciamento com ‘business angels' e capitais de risco".

"São focados numa maneira de financiar empresas que não recorre a crédito, são maneiras alternativas de capitalizar empresas e incentivam o investimento com privados"

O Ativar Portugal – Startups reúne o ecossistema empreendedor nacional, entre incubadoras, aceleradores, investidores, mentores, clientes e potenciais entidades de apoio à promoção nacional e internacional, e contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Estiveram também presentes líderes de referência da nova geração de empresas, como Rui Bento, da Uber, André Cardote, da Veniam Works, e Miguel Santo Amaro, da Uniplaces, que de uma maneira geral consideraram que Portugal passou por "mudanças incríveis" ao nível do empreendedorismo, inovação e criação de ‘startups', sendo hoje "um polo catalisador de atração", mas também detetaram problemas, nomeadamente ao nível da regulação.