O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo disse hoje que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, «confirmou que mentiu» quando admitiu uma «incorreção factual» sobre as suas relações com a Sociedade Lusa de Negócios (SLN).

«Rui Machete confirmou que mentiu. E depois confirmou a riqueza semântica deste Governo. Incorreção factual ou mentir é exatamente o mesmo. E nós [BE] vamos continuar a insistir que um ministro que mente não pode estar no Governo, sendo certo que não é o único que mentiu e permanece no Governo», declarou João Semedo à agência Lusa.

No sábado, o BE apresentou uma carta de 2008 do agora ministro em que este revelava que nunca tinha sido acionista da SLN, ex-dona do BPN, sendo que na resposta Machete admitiu que cometeu uma «incorreção factual» na carta, mas disse não haver qualquer intenção de ocultar a posse de ações.

Em «matéria de mentiras», acusou João Semedo, «todos os ministros de Estado já cometeram esse pecado: Maria Luís Albuquerque, Paulo Portas e Rui Machete».

«O Governo tem muita dificuldade em lidar com a verdade porque os resultados das suas políticas são catastróficos. Um Governo cujos objetivos falham só tem dois caminhos: ou muda de política, o que não é o caso, ou mente», sustentou João Semedo.

No sábado, em conferência de imprensa, João Semedo, apresentou uma carta de 2008 do agora ministro em que este revelava que nunca tinha sido acionista da SLN, ex-dona do BPN, o que, disse o bloquista, se sabe hoje que «é uma redonda mentira».

Na carta enviada por Rui Machete a 05 de novembro de 2008 ao então líder parlamentar do BE, Luís Fazenda, e com conhecimento das restantes bancadas parlamentares, o agora governante escreve: «Não sou nem nunca fui gestor/administrador do BPN ou membro do seu Conselho Fiscal ou sequer acionista ou depositante da mesma instituição bancária».

«No momento em que escrevi esta carta, em 5 de novembro de 2008, não tinha quaisquer ações ligadas ao Banco Português de Negócios (BPN). Aliás nunca tive, em qualquer momento, ações do BPN. Equivocadamente escrevi então que nunca tinha tido ações da Sociedade Lusa de Negócios (SLN). É bom sublinhar que este é o único ponto da minha carta em que existe uma incorreção factual», referiu num comunicado de Rui Machete enviado à Lusa após a revelação pelo BE da carta de 2008.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou entretanto manter «totalmente» a confiança no ministro dos Negócios Estrangeiros.