O coletivo de juízes responsável pelo julgamento do caso Privado Financeiras aceitou os requerimentos apresentados pelos advogados de defesa de João Rendeiro, Salvador Fezas Vital e Paulo Guichard, para que os arguidos fiquem dispensados de comparecer no tribunal.

A decisão dos juízes, tomada na sessão que decorre hoje, foi confirmada à agência Lusa por vários advogados da acusação.

Embora fiquem dispensados de estar presentes nas sessões do julgamento que se iniciou na semana passada, Rendeiro, Fezas Vital e Guichard terão que se apresentar sempre que o coletivo de juízes liderado por Nuno Salpico assim o entenda.

Apesar dos esforços para perceber quais os argumentos apresentados pela defesa nos requerimentos em que solicitaram a dispensa da presença dos arguidos no tribunal, tal não foi, até ao momento, possível.

Certo é que, segundo a informação dada à Lusa por alguns dos advogados dos cerca de 30 clientes que se constituíram como assistentes neste processo, a decisão dos juízes é válida até à sessão de leitura da sentença que, face à fase embrionária do julgamento, ainda não tem data marcada.

«Pode ser daqui a uns meses, ou daqui a uns anos», confidenciou uma das fontes consultadas.

De resto, o dia de hoje ficou marcado pelos depoimentos de mais quatro clientes que se dizem lesados pelos antigos gestores do Banco Privado Português (BPP) no âmbito do investimento realizado na Privado Financeiras.

António Sousa, Beatriz Mourisca, Carlos Fonseca e João Gilberto - todos assistentes neste processo - deram o seu testemunho em tribunal e, tal como já haviam feito na véspera os três primeiros clientes a serem ouvidos, admitiram que estavam cientes do risco de perda do capital aplicado neste veículo, mas garantiram que foram enganados quanto à operação de aumento de capital da Privado Financeiras.

Em causa está a sua participação num aumento de capital da Privado Financeiras com o intuito de aumentar a posição deste veículo de investimento do universo BPP no capital do Banco Comercial Português (BCP) e diminuir o preço médio por ação em carteira.

Os clientes alegam que foram persuadidos a contrair empréstimos com penhor das contas junto do BPP para participar na operação proposta pelos seus gestores de conta, sem imaginar que parte da verba captada foi usada para abater créditos da própria Privado Financeiras junto da banca, nomeadamente, do JP Morgan e do próprio BPP.

«Venderam-me gato por lebre», foi uma das expressões usadas por um dos clientes hoje ouvidos na sala do tribunal onde decorrem os trabalhos para resumir os motivos da sua queixa.

Na terça-feira serão retomados os trabalhos, pelas 09:30, nas Varas Criminais de Lisboa, com a audição dos depoimentos de outros antigos clientes.

No julgamento do caso Privado Financeiras, que arrancou na semana passada, os investidores deste veículo, entre os quais se destacam Francisco Pinto Balsemão, Stefano Saviotti e Joaquim Coimbra, alegam que foram lesados em mais de 40 milhões de euros.

Os arguidos, João Rendeiro, Paulo Guichard e Salvador Fezas Vital, são acusados pelo Ministério Público de burla qualificada em coautoria.