O presidente do IGCP, João Moreira Rato, afirmou hoje no parlamento que a almofada financeira de 2013 custou ao Estado 435 milhões de euros, estimando, no entanto, que o custo desta este ano «já desceu».

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«Se olharmos para a composição do financiamento, 60% de Bilhetes do Tesouro e 40% de Obrigações do Tesouro, isso dá, para 2013, [um custo de] 2,9% de 15 milhares de milhões de euros», o que representa um custo de 435 milhões de euros, afirmou João Moreira Rato, presidente da agência que gere a dívida pública portuguesa, na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, em resposta a uma pergunta do PS.

Estas contas excluem, no entanto, a parte do resgate atribuída à banca e que ainda não foi utilizada que, neste momento, é de 6,4 mil milhões de euros (de um total de 12 mil milhões de euros). Moreira Rato explicou que, apesar de este montante também ter um custo associado, obedece a um racional diferente, uma vez que só pode ser usado para eventuais recapitalizações do setor bancário.

O presidente do IGCP destacou ainda «dois vencimentos importantes» este ano, cujos reembolsos «andam à volta dos nove mil milhões de euros, que terão de ser feitos».

Para 2014, «este custo [da almofada financeira] já desceu para cerca de 2,1%», acrescentou Moreira Rato, reiterando que se trata apenas de uma estimativa.

Moreira Rato disse ainda que a almofada financeira prevista para 2014 é de sete mil milhões de euros, mas espera conseguir uma reserva maior, afirmando que «o que pode fazer sentido» para este ano é ter «uma almofada à volta de 10 mil milhões de euros».

Quanto à repartição da almofada financeira do país, o presidente do IGCP afirmou que «40% está junto da banca e 60% está no Banco de Portugal», defendendo que «seria muito complicado manter saldos tão elevados concentrados apenas no sistema financeiro português».

«Pensamos que faz sentido manter este rácio», afirmou Moreira Rato, acrescentando que há uma parte dos fundos que tem de estar depositada no Banco de Portugal: os 6,4 mil milhões de euros dos 12 mil milhões atribuídos à banca.

Ao optar por construir uma almofada financeira através de depósitos no Banco de Portugal e nos bancos comerciais, o Estado continua a ter de se financiar em Bilhetes do Tesouro (BT) e Obrigações do Tesouro (OT) a uma taxa de juro superior à que recebe por esses depósitos. É dessa diferença que resulta o custo hoje anunciado por Moreira Rato.