A Grécia só receberá financiamento dos credores quando houver um acordo e as reformas começarem a ser executadas, disse esta segunda-feira o presidente do Eurogrupo, acrescentando que um eventual referendo iria atrasar esse processo.

"É vital não só o acordo no papel, mas também a implementação antes de decidir o desembolso", disse Jeroen Dijssembloem, na conferência de imprensa que se seguiu ao Eurogrupo, que hoje juntou os ministros das Finanças da zona euro em Bruxelas.


O também ministro das Finanças da Holanda acrescentou que se houver um referendo na Grécia "não começarão a implementar (as reformas) antes de ter o resultado", pelo que a consulta popular levaria inevitavelmente ao atrasar do processo de libertação de dinheiro para Atenas.

No entanto, sublinhou, Dijsselbloem, a decisão de convocar um referendo cabe apenas ao governo grego e os parceiros não se irão imiscuir.

Após a reunião do Eurogrupo, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, referiu que a reunião de hoje não foi tensa, mas que "se não houver acordo com a Grécia é pior para todos".

Tal como se esperava, a reunião do Eurogrupo desta segunda-feira terminou sem qualquer acordo, num encontro que demorou pouco mais de três horas. 

No comunicado do Eurogrupo sobre a Grécia, hoje divulgado, os ministros das Finanças da zona euro que hoje se reuniram em Bruxelas saudaram os "progressos alcançados até agora", referindo sobretudo as melhorias existentes nos procedimentos de trabalho ao nível técnico, o que consideram que "tem contribuído para uma discussão mais substancial".  

No entanto, refere a nota, ainda é preciso "mais tempo e esforço para colmatar as divergências que permanecem".  

Segundo as informações conhecidas, as divergências dizem respeito sobretudo a medidas relacionadas com as pensões, o mercado laboral e as privatizações.  

Entretanto, a ordem para pagar o   reembolso de 750 milhões de euros ao FMI por parte da Grécia já foi dado.  

Desde fevereiro que o chamado Grupo de Bruxelas - que junta a Grécia e as instituições que formavam a troika (Comissão, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) - está em discussões sobre reformas a serem adotadas pela Grécia que permitam ultrapassar o impasse e transferir para os cofres gregos a última tranche do atual programa de resgate, cuja parcela ascende a 7,2 mil milhões de euros.  

No entanto, para isso acontecer ainda são precisos muitos avanços, sobretudo nas pensões, no mercado laboral e nas privatizações, matérias em que as partes ainda têm profundas divergências.  

Além do acesso à última tranche do resgate, para Atenas também é importante alguma flexibilização por parte do BCE, nomeadamente o aumento do valor da linha de emergência em que os bancos gregos se podem financiar e a não colocação de mais exigências aos colaterais apresentados pelos bancos gregos para irem buscar dinheiro ao banco central.  

A Grécia gostaria ainda que o BCE permitisse que o tesouro helénico pudesse emitir mais dívida pública de curto prazo.