O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, defendeu, neste sábado, o presidente do Eurogrupo, considerando que não viu nenhum insulto nas declarações de Jeroen Dijsselbloem e que as explicações que já foram dadas sobre o assunto foram suficientes.

Como todos os leitores alemães do jornal, não fiquei ofendido pela entrevista. Mas sabemos que em outros países europeus, especialmente em Espanha, esta entrevista foi lida de forma diferente", afirmou Schäuble numa conferência de imprensa depois da reunião de ministro das Finanças da União Europeia (Ecofin), que decorreu entre sexta-feira e hoje em La Valetta, capital de Malta.

Recordando que Dijsselbloem já admitiu várias vezes que houve diferentes interpretações das suas palavras, Schäuble defendeu que "já houve explicações suficientes e que, a algum ponto, já chega" da discussão.

As declarações de Dijsselbloem - "Não se pode gastar o dinheiro em copos e mulheres e depois pedir que o ajudem” - sobre os países do Sul, como Portugal, que pediram resgates financeiros à troika foram feitas ao Frankfurter Zeitung e replicadas por todo o lado.

Durante a crise do euro, os países do Norte mostraram-se solidários com os países afectados pela crise. Como social-democrata, atribuo à solidariedade uma importância excecional. Porém, quem pede [ajuda] também tem obrigações. Não se pode gastar o dinheiro em copos e mulheres e depois pedir que o ajudem.”

Na sexta-feira, em Malta, o secretário de Estado das Finanças português confrontou Dijsselbloem e exigiu um pedido de desculpas público ao presidente do Eurogrupo. O presidente do Eurogrupo manifestou-se igualmente chocado.