O presidente do Eurogrupo criticou esta quinta-feira, em Bruxelas, a forma como as instituições da troika deram publicamente conta das suas conclusões após a primeira missão de monitorização pós-programa a Portugal, lamentando não ter tido antes acesso ao relatório.

«O que acho um pouco bizarro é que, no quadro da vigilância pós-programa, as instituições foram a Portugal e depois publicaram uma declaração, e não um relatório. O que eu gostaria era que um relatório fosse disponibilizado ao Eurogrupo, e então depois houvesse declarações», declarou Jeroen Dijsselbloem, quando questionado sobre Portugal no final de uma reunião de ministros das Finanças da zona euro.

Relativamente ao teor das declarações da Comissão Europeia e Banco Central Europeu, por um lado, e do Fundo Monetário Internacional, por outro, que colocaram em causa os esforços de reformas que estão a ser levados a cabo em Portugal desde a saída do programa, insistiu que é ingrato comentar algo sem conhecimento de causa, e disse esperar que tal não se repita.

«Isto dificulta a tarefa ao Governo português e a mim, porque não vi o relatório. Por isso, sou um pouco crítico nesta matéria, e no futuro gostaria que primeiro fosse apresentado um relatório ao Eurogrupo, que possamos discutir, para depois poder responder às vossas perguntas. Agora tenho que reagir com base numa declaração, o que não creio que seja de todo conveniente», disse.

O presidente do Eurogrupo disse ainda que mantém a confiança no Governo português e que não tem razões para «questionar os esforços» do Executivo para alcançar os compromissos que assumiu, seja quanto às reformas seja na consolidação orçamental. «Não tenho razões para questionar os esforços e compromissos [do Governo] sobre futuras reformas e sobre a consolidação orçamental», afirmou Jeroen Dijsselbloem.

Presente na conferência de imprensa, o novo comissário europeu dos Assuntos Económicos, o francês Pierre Moscovici refutou responsabilidades, lembrando que assumiu funções na «Comissão Juncker» há menos de uma semana.

«Não vou responder à crítica no caso de ela se dirigir à Comissão, porque acabei de chegar», disse.

Na quarta-feira, após a conclusão da primeira missão de monitorização pós-programa realizada em Portugal desde a conclusão do programa de ajustamento, em maio passado, a troika colocou em causa a proposta de Orçamento do Estado: espera menos crescimento e mais défice do que o Governo, alerta para «uma pausa» no esforço de consolidação orçamental e considera que Portugal «não cumpriu» os compromissos assumidos.

Portugal esteve representado na reunião de hoje do Eurogrupo pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que optou por não prestar declarações aos jornalistas.