O presidente da companhia aérea Air France-KLM, Jean-Marc Janaillac, anunciou esta sexta-feira a sua demissão devido à rejeição por parte dos trabalhadores de uma proposta de aumentos salariais, uma tentativa falhada para acabar com as greves na empresa.

Jean-Marc Janaillac apresentou aos funcionários uma proposta que previa um aumento salarial gradual (2% este ano e 5% suplementares de forma progressiva nos três anos seguintes), confiante de que a posição dos sindicatos que convocaram as greves não seria maioritária, mas o documento acabou por ser rejeitado com 55,44% dos votos contra.

Reagindo após serem conhecidos os resultados da votação, Jean-Marc Janaillac disse que “a votação demonstra desconforto”.

Como prometido, assumo as consequências da votação e apresentarei a minha renúncia nos próximos dias”, declarou o responsável, em conferência de imprensa.

Prejuízos de 269 milhões

O grupo franco holandês Air France-KLM registou prejuízos de 269 milhões de euros no primeiro trimestre, um agravamento face ao mesmo período de 2017, quando tinha perdido 143 milhões de euros.

O resultado de exploração entre janeiro e março foi de 118 milhões de euros, contra 33 milhões de euros no mesmo período de 2017, que incluiu um impacto negativo de 75 milhões de euros provocado pelas greves convocadas pelos sindicatos para pedir uma subida salarial superior à proposta pela direção, sublinhou hoje a Air France-KLM em comunicado.

Com a paralisação de hoje, são já 13 os dias de greve que a Air France viveu desde que, em 22 de fevereiro, começou um conflito que Jean-Marc Janaillac tentou solucionar com a realização de uma consulta aos trabalhadores.

Desde o início, Janaillac pôs à disposição o seu cargo caso não ganhasse esta consulta, na qual se perguntava aos empregados se aceitavam a proposta de aumento salarial.

De momento, a transportadora reconhece que as greves agravaram o resultado de exploração no mínimo em 300 milhões de euros em 2018.

Além das greves, as contas em 2018 também serão afetadas negativamente com a fatura do combustível, que aumentará cerca de 350 milhões de euros face a 2017 devido à subida do preço do barril de petróleo.

A apreciação do euro face a outras divisas também terá um efeito desfavorável de cerca de 100 milhões de euros nas contas da Air France.