
Os madeirenses estão a alterar os seus padrões de consumo de géneros alimentares, diminuindo as compras de produtos de restauração, na sequência do aumento e alteração das taxas de IVA, referiram fontes das empresas de distribuição.
A dimensão das compras tem diminuído e há uma evidente queda nas vendas da restauração, apostando em produtos básicos nos supermercados.
De acordo com a informação obtida junto da Jerónimo Martins, que tem na Madeira 13 pontos de venda Pingo Doce, «o valor da compra média baixou ligeiramente, embora a frequência de compra tenha aumentado», escreve a Lusa.
Os clientes estão «a comprar menos peixe fresco, especialmente as espécies de valor acima dos cinco euros/kg», optando por adquirir peixe congelado.
De acordo com a mesma fonte, existe uma clara «diminuição nas vendas das refeições prontas congeladas e refrigeradas», bem como «do consumo de destilados e vinhos acima dos quatro euros e uma quebra ainda mais acentuada das vendas de electrodomésticos».
Nos pontos de venda da Jerónimo Martins os madeirenses têm comprado mais produtos de «mercearia básica, especialmente salsichas, atum em lata, arroz e massas alimentícias», não se descortinando qualquer redução nas vendas dos produtos frescos (carne, frutas e lácteos), até porque a empresa «decidiu suportar o aumento do IVA», realçou a mesma fonte.
Pelo contrário, há uma evidente queda das vendas na restauração (cafés, pastelaria e refeições), alterações que, para os responsáveis do grupo, não são claras, pois «ainda é demasiado cedo para se perceber o comportamento de compra dos madeirenses, tendo em conta a data da Páscoa e a antecipação das compras no final de Março», especificou.
Já a cadeia Modelo Continente considera que «o volume de compras das lojas da Madeira tem-se mantido em linha com os valores apurados antes do aumento do IVA, não se estando a verificar, até à data, qualquer impacto negativo do mesmo», adiantou fonte da empresa.
Desde o início do mês de Abril que está em vigo um conjunto de medidas de austeridade na ilha depois de ter sido feito um pedido pedido de resgate junto do Governo na sequência da existência de uma dívida pública na ordem dos seis mil milhões de euros.
O aumento da taxa do IVA e o acréscimo de 15% no Imposto Sobre Produtos Petrolíferos (IPSS), como contrapartida pelo não pagamento de portagens, são as principais medidas que obrigaram os residentes neste arquipélago a alterar alguns dos seus hábitos de vida.
O denominado plano de resgate estipula, no caso do IVA, a equiparação das taxas aos valores praticados no continente, ficando apenas a um ponto percentual das taxas em vigor no território continental, pelo que a normal passou para 22 por cento, a intermédia em 12 por cento e a mínima em cinco por cento.