Grande parte do aumento de impostos deste Orçamento do Estado incide sobre os condutores. O Governo reforça a carga fiscal em todas as frentes e as mexidas no Imposto sobre Produtos Petrolíferos, no Imposto sobre Veículos e no Imposto Único de Circulação vão custar aos condutores portugueses mais 587 milhões de euros este ano.

No abastecimento, já se sabe: o aumento do imposto sobre os combustíveis leva mais seis cêntimos por litro, na gasolina e no gasóleo. São mais três euros por um depósito de 50 litros. Com esta atualização, Portugal fica com um dos impostos mais altos da Europa, ao mesmo nível da Suécia. Só no Reino Unido e na Holanda se encontram impostos mais altos.

Na circulação, o imposto único também sobe 0,5% para todos os veículos, independentemente da gama e da cilindrada.

Um Renault Clio, por exemplo, vai sentir um aumento de 50 cêntimos e passa a pagar 99,29 euros. Já um Audi A4 sofre um agravamento de quase um euro, para pouco mais de 197 euros. Mesmo um veículo de luxo, como um Porsche Panamera, só vê o imposto subir 2,70 euros, para 546 euros.

A pior notícia é para quem precisa de carro novo, porque é sobretudo no ato da compra que a carga fiscal fica mais pesada. O Imposto sobre Veículos sobe 3% na componente da cilindrada e 10 a 20% na componente ambiental.

Na prática, e segundo simulações da Associação Nacional das Empresas de Comércio e Reparação Automóvel, só escapam aos aumentos os veículos a gasolina com cilindrada inferior a 1.000 e emissões de dióxido de carbono abaixo de 99 gramas.

Por exemplo, um Citroen C1, com 1.0, que custa 11.700 euros, vai sentir uma redução de 6,1% no imposto, o equivalente a 16 euros. Já um Toyota Avensis 1.6, com um preço de 33.300 euros, regista um agravamento de 14,7% ou 492 euros no imposto.

Na gama alta, o BMW 330I XDRIVE 2.0 que custa 52.800 euros, vai sofrer um aumento de 10,1% no imposto, são mais 508 euros.

O Ferrari LaFerrari custa 345 mil euros e já não era para todos os bolsos antes deste orçamento. Agora, ainda menos: o imposto sobe 12,7%, uns modestos 6.900 euros.

A tudo isto soma-se mais um aumento, para quem recorrer ao crédito para comprar carro, porque o imposto de selo sobre as operações de crédito ao consumo também é atualizado em 50%.