Marcelo Rebelo de Sousa não quer falar mais sobre o caso BPI e recusa comentar as declarações da Santoro, da empresária angolana Isabel dos Santos, ao Governo português, que acusou de ter favorecido o CaixaBank e acenando com eventuais consequências para as relações diplomáticas entre Portugal e Angola.

"Não faço nenhum comentário sobre essa matéria. O que eu tinha a dizer e fazer sobre a matéria disse e fiz"

O próprio Presidente da República admitiu que interveio durante as negociações entre a Santoro e o CaixaBank e, quando o acordo foi dado como certo, há uma semana e meia, e chegou a "rejubilar", como todos, por ele ter sido alcançado. 

Só que houve um revés no dito acordo que evidenciou que esse empurrão não bastou e/ou algo aconteceu entretanto para o desentendimento entre os dois maiores acionistas do BPI, para resolver o problema da exposição do banco a Angola.

O Presidente da República demorou mais de seis horas para reagir depois desse desfecho e, também, à notícia que dava conta que o Governo se precaveu, na quinta-feira antes, para a eventualidade daquilo acontecer, aprovando um decreto-lei que abria a porta a uma OPA para resolver o problema da exposição a Angola por parte do banco, sem o ter ainda tornado público.

No fim de semana passado, Marcelo Rebelo de Sousa não abriu o jogo sobre aquele diploma precisaria da sua promulgação, prometendo apenas que zelará pelo interesse nacional. Um dia depois, já esta segunda-feira, o Presidente acabou por promulgar o diploma - dizendo que ele esteve "retido" durante um mês porque tanto o Governo como o Presidente quiseram primeiro tentar que houvesse acordo.

O diploma em causa prevê, então, a revisão das restrições dos diretos de voto nas instituições financeiras (não só no BPI) e disse que ainda há tempo para uma solução para o banco. É a 1 de julho que a lei entra em vigor.

O Caixabank logo anunciou na segunda-feira que vai lançar uma OPA sobre o BPI, oferecendo 1,113 euros por acção para comprar os 55,9% que não detém no banco português.