A ex-diretora do departamento financeiro, de mercados e estudos do BES, Isabel Almeida, também ficou sem nada, tal como as outras pessoas que investiram no BES. Ouvida na comissão de inquérito sobre o caso, no Parlamento, manifestou a sua «profunda tristeza» e «solidariedade» para com os investidores que acreditaram no banco.

«Mantive as ações e sofri as perdas de valor que julguei - tal como muitos clientes - que recuperaria» mais tarde. «Perdi tudo o que tinha investido em ações e correspondia em parcela muito significativa de anos de trabalho»

Na sua intervenção inicial, Isabel Almeida disse que, «como muitos pequenos investidores o impacto desta situação assumiu proporções ainda mais gravosas». Também ela as sentiu na pele. 

Por ter sofrido as consequências do que se passou, quis dar uma «palavra de solidariedade» aos investidores e clientes do banco, manifestando a sua «profunda tristeza quando se vê esfumar-se todo um esforço de vida de trabalho». 

Isabel Almeida assegurou que fez tudo o que podia. «Eu e restantes elementos nunca desistimos e lutámos até ao limite das nossas capacidades pela preservação do património» do banco. 

«Não abandonei o banco nem a equipa, mesmo quando sobre mim caíram as maiores calúnias e o meu nome foi difamado na praça pública»

As notícias que vieram a público dão conta que a ex-directora do BES terá estado no centro das operações do esquema de financiamento que pode ter passado pela Eurofin e Panamá.  Isabel Almeida garantiu, já em resposta a Mariana Mortágua (BE) que nunca aprovou financiamento ao Espírito Santo Bank do Panamá.

«Eu tinha uma informação muito limitada em saber o que se passava acima do BES. A Espírito Santo Bank of Panamá é a empresa acima do grupo BES. O banco financiava, mas «o destino dos fundos, a quem quer que fosse,era decisão dos responsáveis da Espírito Santo Bank of Panamá e da ESFG. Não era decisão do BES e do departamento financeiro. Em absoluto»

 
Isabel Almeida explicou também aos deputados que tudo aquilo que era feito no seu departamento tinha «sempre» aprovação prévia do administrador executivo [CFO] Morais Pires, já ouvido no Parlamento.

Aos deputados, a ex-diretora do BES tentou, de forma bastante explícita, mostrar que não tem qualquer relação próxima com Morais Pires, revelando ainda que foi «surpreendida» por integrar a sua lista para a administração que iria suceder a Ricardo Salgado. Garante que só soube horas antes de a decisão - já tomada - ser tornada pública. 

Outra revelação que fez foi que tanto Salgado como Pires  recusaram explicar o esquema das obrigações à nova administração, na altura, de Vítor Bento. E ambos decidiram o investimento de 900 milhões de euros da PT na RioForte, dinheiro que a operadora de telecomunicações veio a perder.