«Mantive as ações e sofri as perdas de valor que julguei - tal como muitos clientes - que recuperaria» mais tarde. «Perdi tudo o que tinha investido em ações e correspondia em parcela muito significativa de anos de trabalho»

Por ter sofrido as consequências do que se passou, quis dar uma «palavra de solidariedade» aos investidores e clientes do banco, manifestando a sua «profunda tristeza quando se vê esfumar-se todo um esforço de vida de trabalho». 

Isabel Almeida assegurou que fez tudo o que podia. «Eu e restantes elementos nunca desistimos e lutámos até ao limite das nossas capacidades pela preservação do património» do banco. 

«Não abandonei o banco nem a equipa, mesmo quando sobre mim caíram as maiores calúnias e o meu nome foi difamado na praça pública»

«Eu tinha uma informação muito limitada em saber o que se passava acima do BES. A Espírito Santo Bank of Panamá é a empresa acima do grupo BES. O banco financiava, mas «o destino dos fundos, a quem quer que fosse,era decisão dos responsáveis da Espírito Santo Bank of Panamá e da ESFG. Não era decisão do BES e do departamento financeiro. Em absoluto»

Isabel Almeida explicou também aos deputados que tudo aquilo que era feito no seu departamento tinha «sempre» aprovação prévia do administrador executivo [CFO] Morais Pires, já ouvido no Parlamento.

Aos deputados, a ex-diretora do BES tentou, de forma bastante explícita, mostrar que não tem qualquer relação próxima com Morais Pires, revelando ainda que foi «surpreendida» por integrar a sua lista para a administração que iria suceder a Ricardo Salgado. Garante que só soube horas antes de a decisão - já tomada - ser tornada pública. 

Outra revelação que fez foi que tanto Salgado como Pires  recusaram explicar o esquema das obrigações à nova administração, na altura, de Vítor Bento. E ambos decidiram o investimento de 900 milhões de euros da PT na RioForte, dinheiro que a operadora de telecomunicações veio a perder.