O Fundo Monetário Internacional (FMI) nega defender a criação de um imposto destinado aos mais ricos como forma de reduzir os défices públicos, como sugeria um relatório recente da instituição.

«Não recomendamos a criação de um imposto sobre a riqueza», declarou um porta-voz do FMI, William Murray, numa conferência de imprensa em Washington.

O esclarecimento impunha-se, depois de um relatório publicado no início de outubro, onde o FMI referia que um imposto sobre a riqueza teria «fortes hipóteses» de sucesso, precisando que uma cobrança de 10% nos 15 países da zona euro permitiria a estes países repor os défices aos níveis de antes da crise.

A proposta suscitou polémica. Agora, o porta-voz referiu que esta era apenas uma «sugestão» de peritos do Fundo e não uma recomendação política da instituição.

«É apenas um trabalho de análise (...) que significa 'se fizerem isto, vão conseguir aquilo', mas não é uma medida que o Fundo recomende formalmente», disse Murray.

No relatório, divulgado por ocasião da sua assembleia geral, o FMI indicou que parece existir «margem suficiente» em economias avançadas para aumentar os impostos sobre as grandes fortunas com o objetivo de «reforçar a legitimidade» dos planos de austeridade orçamental.