A saída da Irlanda do resgate sem programa cautelar pode ter sido uma boa decisão política, mas foi um erro financeiro, afirmou um dirigente do Fianna Fáil, o partido que pediu assistência financeira internacional e está agora na oposição.

«Do ponto de vista político, compreendo a decisão porque podem celebrar a partida da troika e, nas palavras deles, reconquistar a independência. Mas se olharmos agora a troika como nós olhamos, como amigos, e a linha de crédito como algo amistoso, nesse aspeto considero que cometeram um erro», afirmou o senador Thomas Byrne à agência Lusa, a propósito do fim do programa de assistência financeira, a 15 de dezembro.

Segundo este dirigente, dependendo das condições que fossem impostas, o Governo de coligação entre o Fine Gael e o Partido Trabalhista deveria ter negociado «algum tipo de acordo para as eventualidades, porque será preciso muito dinheiro para pagar as despesas do Estado e a dívida nos próximos anos».

Atualmente porta-voz para as questões da reforma da Despesa Pública e Reforma, Byrne admitiu que a saída do programa de assistência financeira «é um passo bem-vindo no caminho para a autonomia» da Irlanda, mas não representa uma libertação nem há razões para celebrações.

«Ainda vamos precisar de pedir emprestadas quantidades substanciais de dinheiro dos mercados financeiros e ficaremos dependentes deles», disse, convencido de que «haverá necessidade de algum tipo de austeridade» nos próximos anos.

Nas eleições de 2011, o partido foi castigado pelos eleitores após 13 anos no poder e passou a ser a terceira força política no parlamento ao perder 54 lugares.

Thomas Byrne aceitou que foram cometidos vários erros: os impostos foram reduzidos e a despesa aumentada para níveis insustentáveis, foi dada liberdade ao setor financeiro para se autorregular e não foi antecipado o estouro da bolha imobiliária.

Também admitiu «mágoa» na forma como os bancos descapitalizados foram salvos com dinheiro dos contribuintes: «Foi terrível e não existe outra forma de descrever, mas o Banco Central Europeu não teria deixado negociar essa dívida, incluindo com os obrigacionistas não cobertos pela garantia bancária».

Durante os últimos dois anos, o Fianna Fáil, que permaneceu signatário do programa de ajustamento, continuou ativo, garantiu o senador.

«Nós sempre sugerimos políticas. Por exemplo, opusemo-nos ao imposto imobiliário. Mas a troika tornou claro que não impunha forma como fazer, desde que os resultados fossem os mesmos. De forma responsável e até por uma questão de credibilidade, as nossas propostas eram baseadas em números. E no interesse nacional. Não prevejo diferença na forma de atuar no pós-troika», prometeu.