O ministro das Finanças irlandês, Michael Noonan, defende que a economia portuguesa está preparada para não ter um programa cautelar e afirma que «ter a oposição ao lado do Governo é um bónus que acontece muito raramente».

«Dou os parabéns a Portugal por ter concluído com sucesso o seu programa de assistência, a economia portuguesa está a crescer e a taxa de desemprego a descer, por isso parece-me que estão numa boa posição para enfrentar o futuro», afirmou o responsável pela pasta das Finanças da Irlanda, país que em dezembro concluiu o seu programa de assistência económico-financeira e que, tal como Portugal, optou por uma saída sem linha cautelar.

Noonan referiu que, «tal como a Irlanda, Portugal teve a possibilidade de escolher», porque «a economia portuguesa estava preparada para ter ou não um programa cautelar».

«Tanto a Comissão como o Banco Central Europeu apoiaram fortemente esta decisão e foi também essa visão dos ministros [das Finanças], ninguém colocou objeções, foi uma decisão bem aceite e Portugal fez um bom trabalho, é claro que nenhum programa destes é levado a cabo sem sacrifícios, mas a economia está num caminho de retoma», afirmou.

Questionado sobre a necessidade de ter um consenso político alargado para garantir uma recuperação sustentável, o ministro das Finanças irlandês referiu que também na Irlanda há «uma oposição forte, mas o Governo tem uma boa maioria».

O governante considerou que as divergências são «normais em democracia» e desvalorizou a existência de riscos elevados pela falta de um acordo que vá além dos partidos que estão no Governo.

«É muito difícil ter um consenso que abranja um grande espectro político, os governos são formados com base em maiorias fortes no parlamento, quem tem maioria governa, ter a oposição a concordar com um governo é um bónus, mas isso acontece muito raramente, só em período de crise gravíssima», declarou Michael Noonan.

Os ministros das Finanças da zona euro discutiram na segunda-feira em Bruxelas a decisão do Governo português por uma 'saída limpa' do programa de assistência, que foi anunciada no domingo pelo primeiro-ministro.

A ministra das Finanças portuguesa, Maria Luís Albuquerque, sustentou esta escolha com a reserva financeira de que Portugal dispõe atualmente, e que abrange as necessidades de financiamento para cerca de um ano, e com a evolução dos indicadores económicos.