O ex-ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, considerou esta quarta-feira que Portugal deve recorrer a um programa cautelar após a troika, advertindo que os sinais de «alguma euforia» podem mascarar dificuldades que o país tem pela frente.

«Este estado de alguma euforia corre o risco de mascarar algumas dificuldades que temos pela frente», alertou Teixeira dos Santos numa intervenção proferida no Fórum das Políticas Públicas 2014, a decorrer em Lisboa.

No entender do ex-titular da pasta das Finanças «não parece que haja condições para uma mudança muito significativa nas políticas orçamentais, nem espaço para que muitas das medidas adotadas possam ser afastadas».

«Elas estão aí e têm de se manter. Não é com medidas de caráter transitório que as coisas se resolvem. Vamos, de facto, ter de fazer um grande esforço de consolidação orçamental para assegurar este peso da dívida no Produto Interno Bruto (PIB)», afirmou.

Nesta medida, Teixeira dos Santos defendeu que «Portugal deve ter um programa acautelar que permita ao país ter uma rede de proteção que possibilite enfrentar dificuldades que não estão no Programa [de Ajustamento Económico e Financeiro]».

Referiu ainda que o país tem ainda de resolver problemas como o desemprego e o peso da dívida no PIB.

«Não me parece que tenhamos, do lado da procura interna, fatores de estímulo ao nosso PIB», afirmou.

Teixeira dos Santos salientou que «o elevado peso da dívida» coloca Portugal «em cima do fio da navalha», considerando que os dois maiores partidos têm agora de alcançar um consenso sobre o futuro de Portugal.

«Temos de tomar decisões importantes que têm a ver com a configuração do que vai ser a nossa economia no futuro e o papel do Estado na economia. Temos um Estado que resulta de um consenso das políticas dos dois maiores partidos e estes têm de ser chamados a um novo entendimento quanto ao que deve ser o Estado e o país», frisou o ex-ministro.

Segundo o ex-ministro, «perdeu-se uma boa oportunidade durante o PAEF de equacionar uma boa Reforma do Estado».

A concluir, e falando ao lado de ex-ministros como Manuela Ferreira Leite, Vítor Gaspar e Bagão Félix, Teixeira dos Santos destacou que «a fragilidade do crescimento no contexto europeu contagia a recuperação interna, ainda incipiente, num quadro que ainda é frágil», escreve a Lusa.