Os últimos anos foram anos de um aumento expressivo do envolvimento dos portugueses em assuntos de economia e de finanças. Há muitos anos, nem nos passava pela cabeça perceber alguma coisa de SWAP, de défices orçamentais, de políticas de austeridade. Eram outros tempos e outras andanças. Estávamos preocupados em viver, gastar dinheiro e gozar de bons anos de vida, empurrando os problemas com a barriga (quais problemas?).

A moda dos dias que correm é em torno dos SWAP. Fala-se muito dos buracos orçamentais, da especulação, dos prejuízos e da eventualidade do Governo e seus membros saberem ou não da existência do problema (uma discussão interessante mas que não resolve qualquer problema, o que é sintomático da forma de atuação de uma classe política... sem adjetivação).

O que são SWAP?

Estes instrumentos financeiros, quando bem utilizados, poderão ser muito interessantes no contexto da gestão do risco financeiro. O caso em que as famílias estão mais familiarizadas é o caso dos créditos para compra de uma habitação. O caso mais comum consiste na contratação de um financiamento com uma taxa de juro que resulta da fórmula de um indexante (EURIBOR) com um spread.

Acontece que é possível contratar um juro fixo, normalmente mais elevado, para remunerar a incerteza para os próximos anos. Aqui acabamos por fazer um SWAP, que mais não é do que a troca entre um juro variável por um juro fixo.

Estamos a pagar para ter previsibilidade de prestações. Sabemos que pagaremos sempre o mesmo durante muito tempo.

Percebemos que várias famílias gostam da previsibilidade e estão dispostas a fazer um SWAP (apesar de não o saberem) para ter uma taxa fixa. Nas empresas, esta previsibilidade é fundamental, visto que os gestores se devem preocupar com a gestão operacional da empresa, onde conseguem criar valor.

Porque é diferente este caso?

Quando falámos dos SWAP no caso do crédito habitação, falámos de operações simples e transparentes, uma situação em que o cliente não tem a capacidade de prever a taxa de juro de longo prazo, mas isso não lhe interessa. Quer apenas previsibilidade. Não há especulação.

No caso de alguns SWAP que temos vindo a ouvir falar, fala-se que terá existido especulação. Aparentemente, os «gestores» resolveram armar-se em «doutor Caramba» e resolveram jogar com a bolsa e com os mercados financeiros.

Esqueceram-se que se há coisa em que os bancos de investimento são bons é ganhar dinheiro, preocupando-se em contratar os melhores profissionais para os seus quadros, que poderão criar estruturas e produtos financeiros altamente rentável... para o banco. Ora, como temos vindo a perceber, a qualidade profissional de alguns (muitos?) gestores públicos é no máximo medíocre, visto que foram contratados por questões de confiança ou compadrio.

Logo, entram no jogo já a perder. O mais extraordinário é que estes gestores têm-se em tão grande conta que se acham com as capacidades intelectuais para ombrear com os tais banqueiros de investimento. No mínimo cómico...

E agora?

Agora vamos ter de pagar. É simples... o contribuinte paga e o gestor é demitido... eventualmente.

Podemos tirar uma lição para a nossa gestão diária. Poderá existir a tentação de alterar a taxa de juro do nosso crédito habitação de taxa variável para taxa fixa. Pode ter sucesso, como poderá resultar num fracasso. Sugiro-lhe que apenas pondere esta alternativa por questões de previsibilidade e nunca para resolver apostar ou especular na evolução das taxas de juro. Aqui temos um ponto em comum: tanto os seus erros como os erros dos gestores públicos terão impacto na sua carteira.

Nota: Falar a olhar pelo retrovisor é fácil. É fácil criticar decisões depois de vistos os maus resultados. Muitos podem defender que seria impossível prever uma descida tão acentuada nas taxas de juro. É verdade. Mas por isso é que não devemos inventar e brincar aos banqueiros de investimento, com o dinheiro dos outros...