O atual secretário de Estado do Tesouro, Joauim Pais Jorge, não é o único que não se lembra se esteve ou não na reunião onde, alegadamente, tentou vender ao Governo portugues, na altura liderado por José Sócrates, contratos de swap destinados a «maquilhar» as contas públicas. Também o ex-diretor do Citigroup, Paulo Gray, nãos e lembra se esteve ou não presente.

O caso foi referido pelo ex-secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Costa Pina, e pelo ex-presidente da agência que gere a dívida pública (IGCP), Alberto Soares, na comissão parlamentar de inquérito a este tipo de contratos. Ambos afirmaram ter sido abordados por bancos que tentaram vender este tipo de produto ao Governo português, sem avançar de que grupos bancários se tratava.

Esta semana, a revista «Visão» revelou que um deles teria sido o Citigroup. À data dos acontecimentos (meados de 2005), o atual secretário de Estado, Joaquim Pais Jorge, era diretor do Citibank Coverage Portugal, e ter-se-ia feito acompanhar nas reuniões por Paulo Gray, que era então diretor de mercados do Citigroup.

Depois de Joaquim Pais Jorge ter hoje afirmado aos jornalistas que não se lembra se esteve ou não nessa reunião, também Paulo Gray garante, em declarações à Renascença, que não se lembra do caso.

Questionado se confirma ou não que propôs em 2005 ao Governo de José Sócrates a contratação de swaps, Paulo Gray diz não poder precisar se esteve ou não presente nessa reunião em particular. Na resposta escrita que enviou à Renascença, diz ainda que participou em muitos contactos com clientes durante a sua atividade no Citigroup.

Por outro lado, garante que as propostas eram elaboradas em Londres por equipas especializadas, que depois as apresentavam acompanhadas de elementos da área de mercados do Citi Portugal. Paulo Gray assegura que estas propostas cumpriam estritamente todas as obrigações contabilísticas e de report, quer ao Eurostat, quer às agências de rating.

Paulo Gray afirma que é claramente subjetivo o que a imprensa escreve relativamente ao facto de estas propostas visarem baixar artificialmente a dívida e o défice. O antigo diretor de mercados do Citigroup sustenta que o certo é dizer que as propostas tinham uma componente de financiamento da República e outra de cobertura de risco de taxa de juro.

Paulo Gray é atualmente um dos responsáveis da Stormharbour, consultora financeira que o Governo contratou no ano passado para dar apoio especializado à gestão dos swaps de alto risco das empresas públicas portuguesas.

Sobre isto, Paulo Gray limita-se a garantir que a consultora estava ciente da complexidade e dimensão da tarefa e refere que o propósito foi assistir o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) e o Estado com total rigor e transparência.