O ex-ministro da Segurança Social José Vieira da Silva defendeu, esta terça-feira, que a solução para o Estado social está nos milhares de inativos e avisou que a proteção social pode ser uma das maiores vítimas da crise.



«Não foi a proteção social que gerou a crise, mas arrisca-se a ser uma das suas maiores vítimas», alertou Vieira da Silva.



De acordo com a Lusa, o ex-ministro da Segurança Social falava na conferência «Proteção Social e Desigualdade», que decorreu esta segunda-feira, ao final da tarde, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, a segunda dedicada aos 40 anos do 25 de Abril.



Para Vieira da Silva, a proteção social está «próxima do seu limite», principalmente no que diz respeito às prestações relativas ao desemprego, mas negou que a sustentabilidade do Estado Social esteja em causa.



Sobre esta matéria, o atual deputado do Partido Socialista disse haver uma saída e apontou que a solução reside no mais de um milhão de pessoas com idade ativa, acima dos 25 anos, e que estão inativas.



Vieira da Silva apontou que, somando estas pessoas aos desempregados, estão em causa cerca de dois milhões de pessoas e ressalvou que a população empregada anda à volta dos quatro milhões.



No que diz respeito aos desafios que atualmente se colocam ao Estado Social, Vieira da Silva apontou a demografia como o principal, mas sublinhou que em Portugal há um risco acrescido que tem a ver com o saldo natural, que em 2012 era negativo (-17.757) e com o saldo migratório, que atingiu os 37.352 negativos nesse ano.