O presidente não executivo da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, diz que a proposta do Governo, para aplicar uma taxa sobre as pensões, é «uma vergonha».

«Isto é vergonhoso, o que se passa no país», limitou-se a dizer, mostrando-se desagradado com o assunto e pedindo inclusivamente aos jornalistas que «evitem este tipo de conversa».

Em declarações feitas à margem de um encontro sobre empreendedorismo, o empresário mostrou-se muito crítico da atual situação do país e da forma como os responsáveis políticos estão a lidar com isso.

A propósito de uma questão sobre a proposta do Governo para baixar o IRC para 20% até 2018, o empresário disse aos jornalistas que «têm de se deixar dessas porcarias das fofocas e dos pequenos problemas. O nosso problema é pagarmos as nossas dívidas. Enquanto não pagarmos as nossas dívidas, não venham falar em crescimento, nem venham falar em mais nada. É tudo conversa», desabafou.

«Eu não acredito no crescimento enquanto houver a dívida que há, enquanto não houver uma certeza se ficamos ou não ficamos no euro».

«A situação que existe em Portugal já se sabia há muito tempo. Nós estávamos a viver à custa dos outros. O que temos de fazer é criar condições para o investimento. Neste momento não há condições para o investimento», disse, acusando as pessoas de terem «memória muito curta» e lembrando que «em 1974 destruíram todo o tecido industrial português e agora a fatura está a ser apresentada. As empresas perderam management e capital e não se têm mostrado partidárias de aumentar o capital porque estão sempre a ser atacadas. Continua a não haver a mínima estabilidade na lei, os critérios são arbitrários e depois falamos em democracia. Democracia não é nada disso, é um Estado de direito em que nos respeitamos uns aos outros».

Ao Presidente da República, o empresário deixa também um recado: «O que é lamentável é que aqueles que nos representam e tinham por obrigação olhar para o povo português, não olham. Há um Conselho de Estado. Presume-se que discute problemas muito importantes. A nação é informada? Não. E quem são a nação? Somos nós, acionistas. Nós, povo. E a nós não nos é dado o direito de saber o que é que eles discutem», concluiu.