O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, considerou esta quinta-feira que a atual situação geopolítica poderá ser um risco para a recuperação do crescimento económico na zona euro.

De acordo com o presidente do BCE, que hoje , decidiu manter inalterada a taxa de juro diretora nos 0,15% na zona euro os riscos geopolíticos que advêm da Rússia, Ucrânia, Iraque, Gaza, Síria e Líbano, poderão ter um efeito nos preços da energia e na procura de produtos da zona euro.

«A tensão entre a Rússia e a Ucrânia terá um impacto maior na zona euro do que em outras zonas do mundo», afirmou Draghi em conferência de imprensa, em Frankfurt, acrescentando que o BCE estará atento à repercussão das sanções à Rússia.

Segundo considerou, «os riscos para as perspetivas económicas da zona euro mantém-se. Em concreto, os maiores riscos, assim como os acontecimentos nas economias emergentes e nos mercados financeiros a nível global, poderão afetar negativamente as condições económicas, através de efeitos nos preços da energia e na procura de produtos da zona euro».

A Rússia decretou hoje uma «proibição total» da importação da maioria dos produtos alimentares de países europeus e dos Estados Unidos, em resposta às sanções que lhe foram impostas.

A proibição, com a duração de um ano, aplica-se à carne de vaca, porco e aves, ao peixe, ao queijo e ao leite, aos legumes e às frutas produzidos nos Estados Unidos, na União Europeia, na Austrália, no Canadá e na Noruega.

Em 2013, a exportação de produtos agrícolas europeus para a Rússia representou 11,8 mil milhões de euros, correspondentes a 9,9% do total de exportações da UE para a Rússia.

Draghi assinalou que outros dos riscos para o crescimento são as reformas estruturais insuficientes nos países da zona euro, bem como uma procura interna mais débil do que o esperado.

Relativamente à inflação na zona euro, o responsável lembrou que esta desceu uma décima em julho para os 0,4%, face ao mês anterior, uma tendência que deverá manter-se.

Em junho, o BCE cortou a taxa de juro diretora para o novo mínimo histórico de 0,15% e colocou em valor negativo a taxa de depósitos.

A instituição liderada por Mario Draghi decidiu cortar em 10 pontos base a principal taxa de refinanciamento da zona euro, que estava desde novembro do ano passado nos 0,25%.

Além disso, manteve em valores negativos (-0,10%) a taxa de depósitos, que estava em zero, para penalizar os bancos que depositam dinheiro na instituição, numa medida inédita com o objetivo de impulsionar o crédito.