Notícia atualizada às 18:00

A RioForte, uma holding da família Espírito Santo, está a preparar um pedido de proteção de credores para entregar num tribunal no Luxemburgo, tentando evitar uma insolvência descontrolada, disseram à agência Reuters três fontes próximas do caso.

Este procedimento jurídico poderá indicar que a empresa não tem intenção de pagar hoje cerca de 900 milhões de euros à Portugal Telecom (PT). De acordo com a agência noticiosa, as fontes não referiram o que este pedido significará em concreto para o pagamento em causa, que vence à meia-noite desta terça-feira e depois de amanhã.

À agência noticiosa, fonte oficial da RioForte não comenta.

A RioForte é a holding da cascata de holdings da família que tem os ativos reais de empresas como a cadeia de hotéis Tivoli, presente em Portugal e no Brasil, investimentos imobiliários e agrícolas e país e no exterior.

«Financial Times» escreve que «saga» do BES pode não ter um final feliz.

A RioForte tem 51% da Espírito Santo Saúde e 49,2% da Espírito Santo Financial Group, o maior acionista do Banco Espírito Santo, com 20,1%.

A Portugal Telecom subscreveu, através de duas subsidiárias, um total de 897 milhões de euros em papel comercial da RioForte.

Em comunicado enviado a 30 de junho à CMVM, assinado pelo presidente do Conselho de Administração e executivo, Henrique Granadeiro, e pelo administrador financeiro executivo, Luís Pacheco de Melo, a PT esclareceu que «subscreveu, através das então subsidiárias PT International Financee BV e PT Portugal SGPS, um total de 897 milhões de euros em papel comercial da RioForte com uma remuneração média anual de 3,6%».

A empresa esclareceu no último dia de junho que «todas as aplicações de tesouraria em papel comercial da Rioforte atualmente em carteira têm vencimento em 15 e 17 de julho de 2012 (847 e 50 milhões de euros, respetivamente)».

A subscrição do papel comercial da RioForte «tem presente a boa experiência de 14 anos em aplicações de tesouraria no Banco Espírito Santo (BES) e em entidades do GES, no contexto da parceria estratégica celebrada em abril de 2000 entre as partes», justificou a PT a 30 de junho.

A parceria estratégica incluía a troca de participações entre as duas empresas, bem como a definição da PT enquanto fornecedora preferencial de telecomunicações do BES e a definição deste como fornecedor preferencial de serviços financeiros à operadora.

«A esta data, o montante total de aplicações em papel comercial do GES ascende a 897 milhões de euros, relativo ao investimento em papel comercial da RioForte», acrescenta.

A operadora apontou que desde 28 de abril deste ano que «não foram realizadas quaisquer aplicações e/ou renovações deste tipo de investimentos. Adicionalmente, nesta data a PT International Finance BV e a PT Portugal SGPS mantêm depósitos bancários junto do BES num total de 22 milhões de euros e a Portugal Telecom SGPS depósitos bancários de 106 milhões de euros».

Segundo a empresa, «os valores acima representam a totalidade da exposição ao GES/BES».

De acordo com o «Jornal de Negócios», a Portugal Telecom deverá fazer um compasso de espera pelo plano de reestruturação do Grupo Espírito Santo. Em causa poderá ver-se obrigada a «aceitar o adiamento do pagamento por parte da RioForte do papel comercial que vence esta terça-feira permite evitar que o Grupo Espírito Santo caia no processo de falência desordenada com custos imprevisíveis para todos os credores», escreve o jornal.