O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirmou esta sexta-feira que Ricardo Salgado já «era um caso de polícia» há vários anos e considerou que o BES é «outro caso de polícia» que deve ser investigado.

O ex-presidente do BES foi detido na quinta-feira no âmbito da «Operação Monte Branco», que investiga a maior rede de branqueamento de capitais em Portugal, e ficou em liberdade mediante uma caução de 3 milhões de euros, após ter sido interrogado ao longo de várias horas.

Comentando o caso, à margem de um protesto da CGTP frente à Assembleia da República, Arménio Carlos considerou que «o processo em que está envolvido esse senhor, que é do setor financeiro, já era um caso de polícia há três anos, e não é de agora».

«Há pessoas detidas há dois anos, não se percebe porque é que só agora é que este senhor foi chamado», declarou, acrescentando que «há outro caso de polícia que é preciso averiguar que é o Banco Espírito Santo (BES)».

O líder da CGTP frisou também que a justiça deve funcionar «em tempo célere» sob pena de «os portugueses começarem a pensar que a justiça é rápida para penalizar aqueles que menos têm e é muito morosa e, se possível, até permite a prescrição de processos daqueles que (...) pertencem ao setor financeiro».

Questionado sobre o facto de Ricardo Salgado, que já tinha sido ouvido como testemunha neste processo, só ter voltado a ser chamado à justiça, e na qualidade de arguido, depois de abandonar a presidência do BES, Arménio Carlos ironizou: «Não queremos fazer juízos de valor, mas como diziam os espanhóis, a gente não acredita em bruxas, mas que há bruxas há.»