A mais recente análise trimestral do Emprego e da Situação Social na União Europeia, divulgada esta segunda-feira pela Comissão Europeia, confirma que «a recuperação económica não é extensível a todas as pessoas», sendo «acentuadas» as diferenças ao nível do desemprego.

De acordo com o documento, «o mercado de trabalho da UE dá sinais de uma recuperação gradual e, pela primeira vez desde 2011, regista-se um aumento do PIB [Produto Interno Bruto], do emprego e do rendimento das famílias», mas «o desemprego de longa duração continua a aumentar e a situação dos agregados familiares com baixos rendimentos não melhorou».

Entre os recentes sinais positivos, a Comissão aponta que «estão a ser criados empregos no setor privado, principalmente nos serviços, e o desemprego continua em queda, ainda que numa escala moderada».

No entanto, os atuais níveis de emprego (com cerca de 224 milhões de pessoas empregadas) estão ainda abaixo do nível atingido antes da crise (em meados de 2008, eram cerca de 230 milhões as pessoas) e as taxas de desemprego continuam próximas de níveis historicamente elevados (10,4 % em abril de 2014, após um pico de 10,9% observado na primeira metade de 2013), indica o documento.

Bruxelas lamenta, designadamente, as «divergências acentuadas» nos níveis de desemprego verificados nos Estados-membros, manifestando também «preocupação» com a qualidade do emprego, «tendo em conta que o crescimento deste se deve essencialmente a postos de trabalho temporário e a tempo parcial».

«Mais preocupante é o facto de o desemprego de longa duração continuar a aumentar nos países com as taxas de desemprego mais elevadas», indica o relatório.

A situação do mercado de trabalho, sublinha a Comissão, continua a ser muito difícil para os jovens com menos de 25 anos.

«Os Estados-membros têm de envidar mais esforços para fomentar a criação de postos de trabalho e combater a exclusão social, nomeadamente através de políticas ativas do mercado de trabalho e do reforço do investimento social. Urge dar a todos os jovens uma oportunidade real no mercado de trabalho, mediante a implementação da Garantia para a Juventude, sendo também imperativo que se desenvolvam ações para ajudar os desempregados de longa duração», comentou hoje o comissário para o Emprego e Assuntos Sociais, László Andor.

De acordo com os mais recentes dados do Eurostat ¿ que serão atualizados na terça-feira, com a divulgação dos «números» de maio -, Portugal tinha em abril a quinta taxa de desemprego mais elevada da UE, com 14,6%, mas registou a segunda maior descida homóloga, de 2,7 pontos percentuais, já que em abril de 2013 a taxa chegava aos 17,3%.

Já o desemprego jovem em Portugal caiu ligeiramente para 36,1%, face aos 36,3% do mês anterior, e aos 40,3% de há um ano, constituindo-se como a sexta taxa mais elevada a nível europeu, superada pela Grécia, a Espanha, a Croácia, a Itália e Chipre.