O comissário europeu dos Assuntos Económicos considerou esta terça-feira ser «prematuro» tomar uma decisão sobre a forma de Portugal sair do programa de ajustamento, que só deverá ser tomada «no inverno, primavera», com base na evolução da situação.

Portugal teve reação tardia, quando já estava «encostado à parede»

O comissário Rehn, que falava durante uma conferência sobre governação económica, que decorre no Parlamento Europeu, em Bruxelas, com a participação de deputados dos parlamentos nacionais dos diversos Estados-membros, respondia a uma questão colocada pelo deputado Paulo Mota Pinto, do PSD, sobre estratégia de saída de Portugal do respetivo programa de ajustamento.

«Perguntou se Portugal deve estar preparado para a chamada saída limpa, sem qualquer tipo de apoio, ou se é necessário um cautelar. É ainda prematuro tomar qualquer decisão final nesta matéria», respondeu Olli Rehn.

O comissário dos Assuntos Económicos disse acreditar que agora é sobretudo importante «monitorizar cuidadosamente os desenvolvimentos na economia real e nos mercados financeiros».

«Analisaremos a situação nas próximas semanas e meses, e, algures ao longo do inverno, primavera, chegaremos a uma conclusão, obviamente em conjunto com o Governo português, e depois com os Estados-membros da zona euro e os nossos parceiros internacionais», disse.

Relativamente à questão da «apropriação do programa», suscitada pelo mesmo deputado, que lembrou o facto de o memorando de entendimento ter tido um amplo apoio em Portugal (com o apoio de PS, então no poder, PSD e CDS-PP), que veio a deteriorar-se ao longo da implementação do programa, Rehn limitou-se a dizer que esta é uma questão importante, pois vários exemplos mostram que «nos países onde a unidade nacional prevaleceu, os resultados foram mais convincentes e a confiança regressou mais depressa», e comentou que tal aconteceu na Irlanda e Letónia, «mas também Espanha e Portugal estão a mostrar forte apropriação».