A recente subida das taxas de juro da dívida pública deveu-se à instabilidade no Governo português, mas as mesmas deverão agora baixar novamente, afirmou o diretor do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Klaus Regling.

«Sabemos porque é que as taxas de juro subiram em Portugal depois de o país ter conseguido aceder aos mercados. Eles tiveram uma crise política e o ministro das Finanças resignou ao cargo», disse. «Penso que já regressaram a uma situação estável».

«Se demonstrarem aos mercados que este foi um episódio [isolado] e que vai agora haver estabilidade e que vão continuar a implementar o programa de uma forma convincente, penso que há boas hipóteses de, caso isso acontecer, das taxas de juro a que assistimos neste momento desçam novamente», comentou Klaus Regling em entrevista ao «Wall Street Journal».

Klaus Regling lembrou que o programa de ajustamento português começou seis meses depois do da Irlanda, pelo que Portugal «está necessariamente mais atrasado». O FMI concluiu esta quinta-feira a 11ª avaliação ao programa irlandês, com sucesso, e desembolsou mais uma tranche da ajuda ao país, no valor de 770 milhões.

No caso de Portugal, é «provavelmente bom que haja mais seis meses [até ao fim do programa de resgate internacional] para ver como as coisas se desenvolvem», sublinhou.

A missão técnica da troika está atualmente em Lisboa para a oitava e nona avaliações do programa português e, segundo Regling, caso conclua que as coisas estão no bom caminho, «isso terá um impacto positivo» sobre os juros da dívida portuguesa.

Questionado sobre uma possível flexibilização das metas do défice público português, devido às posições tomadas sobre várias medidas orçamentais pelo Tribunal Constitucional, Klaus Regling lembrou que a meta já foi alterada duas vezes no caso português.

«Além disto, posso apenas citar as palavras do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, na última conferência de imprensa da entidade, quando disse que o Eurogrupo pensa que Portugal deve manter-se agarrado às suas metas do défice», acrescentou.

Klaus Regling lembrou que este tipo de decisões são «muito importantes» e «muito políticas», pelo que devem ser tomadas pelo Eurogrupo.