O ex-presidente da Refer, Luís Pardal, afirmou nesta terça-feira desconhecer os pormenores dos swap celebrados pela gestora da rede ferroviária, explicando que o administrador financeiro estava mandatado para assumir decisões que «muitas vezes tinham que ser imediatas».

Luís Pardal, que liderou a Refer entre 2005 e 2012, explicou que o recurso a instrumentos de gestão de risco financeiro (swap) com o objetivo de «melhorar as condições de financiamento» era decidido pelo departamento de gestão financeira - liderado pela atual ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, até 2007 - em articulação com o administrador financeiro.

O antigo presidente da Refer realçou que muitas vezes os prazos de decisão em relação a estes contratos eram «muito incompatíveis com as reuniões do conselho de administração», admitindo ter total confiança no profissionalismo dos colaboradores nesta área financeira.

«Tenho que acreditar que o trabalho era feito com rigor, com correção e com profissionalismo. Se saiu um pouco daquilo que era desejável, é provável, mas admitir que resultou de um menor empenho de quem gere a empresa não me parece correto», declarou, na comissão parlamentar de Inquérito à Celebração de Contratos de Gestão de Risco Financeiro (swap) por empresas do setor público.

Confrontado pela deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua com os vários swap celebrados nos dois mandatos em que liderou a Refer, Luís Pardal admitiu sentir-se "esmagado" com a descrição das várias operações.

«Estou esmagado. A descrição do que eu tenho ouvido é que a Refer é uma casa de malucos», frisou, admitindo que não se preocupava com as decisões tomadas em matéria de financiamento porque «tinha confiança nas pessoas que lá estavam e que eram competentes».

Sobre Maria Luís Albuquerque, que esteve à frente do departamento de gestão financeira da Refer até 2007, Luís Pardal caracterizou-a como «uma colaboradora muito eficaz e muito sólida».

O ex-presidente da REFER disse que a empresa gestora da rede ferroviária nacional «nunca foi dotada de recursos financeiros para a execução da sua missão», tendo recorrido aos swap para atenuar custos de financiamento elevados.

Luís Pardal explicou ainda que «a componente financeira foi um domínio que requereu muita atenção do conselho de administração», adiantando que o recurso a instrumentos de gestão de risco financeiro (swap) tinha como objetivo «atenuar os custos de financiamento» e «reduzir a imprevisibilidade».