A diretora do FMI, Christine Lagarde, defendeu esta terça-feira que reduzir os salários não é a única solução para baixar os custos laborais, algo essencial para fomentar a contratação e consolidar o crescimento.

«Tem que ser uma estratégia global. Recomendamos que se reduza o custo global da mão-de-obra. Isso não quer dizer cortar sempre os salários, mas cortar os custos mais além do salário», afirmou em entrevista à RTVE.

«Temos que trabalhar a favor dos que têm emprego, mas a pensar também nos que não têm emprego. Pelo que se tem que avançar em medidas que fomentem o crescimento», disse.

Lagarde esteve em Espanha, onde participou, na segunda-feira, num fórum económico que analisou a situação das economias espanhola e europeia.

Apesar de considerar que «a crise está a ficar atrás», Lagarde considerou que «ainda não terminou totalmente», pelo que se devem continuar as estratégias de reforma estruturais e de consolidação fiscal.

No caso espanhol, disse, combater o elevado nível de desemprego «deve ser a principal prioridade», pelo que o Governo deve apostar em fomentar «o crescimento que gera emprego».

«Tem que ser uma estratégia global. Não apenas do mercado laboral, mas uma combinação da consolidação fiscal, uma boa politica monetária que se adapte suficientemente, um sistema bancário claro, transparente e sólido. E a continuação de reforma do mercado laboral», disse.

Lagarde disse que a estratégia deve ser «fomentar o crescimento inclusivo (...) acessível a jovens e a mulheres», que favoreça a formação dos trabalhadores, que elimine as barreiras de acesso ao mercado laboral e que garanta que os empregos a tempo parcial «são justos».

Questionada sobre os objetivos de défice, a responsável do FMI disse que mais importante do que a consolidação fiscal a curto prazo, o essencial é garantir «que é uma política consolidada a médio prazo», demonstrando «uma boa gestão dos recursos públicos e, assim, ir progressivamente reduzindo a divida pública».

«Mesmo apesar do bom progresso de Espanha, apesar das melhorias nas exportações, no crescimento, devem continuar as estratégias em curso. Melhorar o acesso das PME ao crédito, fomentar o investimento, reformar o mercado laboral para facilitar a contratação e estimular setores produtivos», disse.

Destacando que o crédito às empresas e famílias é «fundamental», Lagarde saudou o processo de reestruturação e recapitalização da banca espanhola, que deve agora ser incentivada a emprestar mais dinheiro.