O principal índice da bolsa de Lisboa, o PSI20, seguia a cair perto de 4%, liderando as fortes perdas registadas nas principais praças europeias, com todas as empresas a negociarem no vermelho e a registarem perdas acima dos 1,5%.

Pelas 14:15, o PSI20 seguia a perder 3,93% para 6.120,88 pontos, com as 20 empresas que o compõem a negociarem em terreno negativo, entre as perdas de 1,53% da Jerónimo Martins, para 11,23 euros, e as de 8,25% para 0,78 euros da Teixeira Duarte.

As ações iniciaram as negociações esta manhã já em terreno negativo, acentuando as perdas depois da decisão do Espírito Santo Financial Group (ESFG) de suspender a negociação das suas ações uma hora após o arranque dos trabalhos.

Na altura, as ações do ESFG seguiam a perder 8,9% para 1,19 euros.

Ao final da manhã, o regulador do mercado (CMVM) decidiu também suspender as ações do Banco Espírito Santo (BES) à espera da divulgação de informação relevante, quando estas perdiam mais de 17% para 0,51 euros.

Na restante Europa, as principais praças seguem também em queda, entre as perdas de 2,93% de Madrid e de 1,10% de Londres.

Os analistas contactados pela agência financeira Bloomberg atribuem o fraco desempenho das principais praças europeias (que estão a cair pela quinta sessão consecutiva) ao setor financeiro de Portugal, de Itália e de Espanha.

Em Portugal, os receios em torno da solidez financeira do Grupo Espírito Santos (GES) tornaram-se mais fortes depois de ter sido noticiado que a subsidiária Banque Privée Espírito Santo estava em incumprimento no reembolso a alguns clientes que tinham aplicações em dívida.

O Diário Económico avançou hoje que a Espírito Santo Internacional está a avaliar um pedido de insolvência, num cenário que - de acordo com o jornal - poderá avançar se a empresa não conseguir chegar a um acordo com os principais credores.

A medida permitiria avançar com um plano de reestruturação que será aprovado pelos acionistas da ESI na Assembleia-Geral (AG) de 29 de julho, escreve o Diário Económico.

A agência de rating Moody's baixou na quarta-feira em três níveis a nota do ESFG, o maior acionista do BES, de B2 para Caa2.

A Moody's justificou o corte de rating, que já estava fora da escala de investimento (lixo), com a subida do risco de crédito do ESFG face às empresas Espírito Santo International e Rioforte, que não são avaliadas pela agência.

O BES divulgou também na quarta-feira a nova convocatória da AG extraordinária do banco, que confirma Vítor Bento na presidência executiva, em vez de Morais Pires, que constava da anterior convocatória.

Também na quarta-feira, a convocatória divulgada, através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), mantém a data da reunião magna de acionistas para 31 de julho, às 10:00, num hotel em Lisboa, sendo proposta aos acionistas a «ratificação das cooptações» de Vítor Bento e João Moreira Rato para membros do Conselho de Administração do BES para terminarem o mandato em curso, o que acontece em 2015.

Os acionistas vão também deliberar sobre a designação de Paulo Mota Pinto, deputado social-democrata e ex-juiz do Tribunal Constitucional, como presidente do Conselho de Administração (chairman) e sobre a criação do novo Conselho Estratégico, bem como a eleição dos seus membros, como apurou a Lusa.

Wall Street acompanha Europa e segue no vermelho

Os mercados em Wall Street seguem hoje a cair, arrastados pelas fortes perdas na Europa.

Pelas 14:45 de Lisboa, o índice industrial Dow Jones seguia a descer 0,91% para 16.828,92 pontos e o S&P 500 recuava 0,39% para 1.964,35.

O tecnológico Nasdaq seguia igualmente a perder 1,32% para 4.360,70 pontos.

Os analistas contactados pela agência de informação financeira Bloomberg atribuem o fraco desempenho das principais praças europeias (que estão a cair pela quinta sessão consecutiva) ao setor financeiro de Portugal, de Itália e de Espanha.