O ex-ministro da Indústria e Energia Mira Amaral avisou esta terça-feira que o «problema» das finanças públicas portuguesas «está longe» de ser resolvido, porque o atual Governo não fez a «famosa» reforma do Estado prometida por Passos Coelho.

Em Braga, à margem de uma conferência sobre as relações económicas entre Portugal e Angola, o ex-ministro de Cavaco Silva pediu ainda ao PS e ao PSD para «terem juízo» e fazerem um «acordo de regime» sobre a reforma do Estado, embora reconheça que tal só será possível depois das eleições legislativas de 2015.

Sobre Angola, Mira Amaral apontou aquele país como uma «boa oportunidade» para empresas portuguesas «financeiramente equilibradas», mas avisou que não é «nenhum El Dorado» para aquelas que já estão em dificuldades em Portugal.

«O problema das finanças públicas portuguesas está longe de estar resolvido porque este Governo não fez a reforma do Estado. E sem haver reforma do Estado não há uma redução estrutural e consistente da despesa pública e vamos continuar em aflições. Não tenham ilusões», avisou Mira Amaral.

Segundo o ex-responsável pela pasta da Indústria e Energia, a reforma do Estado «com a extinção imediata de organismos públicos socialmente inúteis, com o desaparecimento ou redução do tal Estado paralelo, com a redução do peso do tal Estado gordo que Passos Coelho e Catroga prometiam antes das eleições, manifestamente, não foi feita».

Questionado sobre quando devia ser feita essa reforma, Mira Amaral afirmou que, «a um ano de eleições, já está tudo a aquecer os motores para as eleições legislativas» e, disse, «já não vai ser feita a tão famosa reforma do Estado prometida antes das eleições».

Por isso, disse «esperar» que essa alteração ao funcionamento do Estado seja feita após as eleições de 2015, com o acordo entre PS e PDS.

«Como nem PS nem PSD vão ter maioria absoluta, eu acho que vai ter que haver um acordo de regime entre eles», disse, deixando ainda o aviso aos dois partidos para «terem juízo e fazerem a dita reforma do Estado».

Já sobre o tema da conferência, Mira Amaral apontou Angola como um país de «oportunidades» mas que não fará «milagres» pelas empresas portuguesas.

«Angola pode ser uma boa oportunidade para empresas financeiramente equilibradas, com tecnologia, recursos humano para gerir o seu negócio lá. Mas Angola não é nenhum El Dorado, nenhuma tábua de salvação para aqueles que estão aflitos em Portugal», alertou.