Os prejuízos do Setor Empresarial do Estado (SEE), excluindo a saúde, agravaram-se em 447,4 milhões de euros, totalizando 486,6 milhões de euros no final do segundo trimestre deste ano, de acordo com o Boletim Informativo sobre o SEE, conhecido nesta quinta-feira.

Na comparação entre o segundo trimestre de 2012 e o mesmo trimestre deste ano, o setor da saúde teve «uma evolução desfavorável em cerca de 165,8 milhões de euros, atingindo um resultado líquido agregado de -244,7 milhões de euros».

Já o setor dos transportes apresentou, no segundo trimestre deste ano, «o maior crescimento em termos absolutos do resultado líquido», com uma melhoria de 347,6 milhões de euros, baixando o prejuízo para 162,7 milhões de euros.

Segundo o boletim da Direção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF), sem o setor do saúde, «ao fim do segundo trimestre de 2013, o SEE apresenta uma melhoria substancial dos resultados financeiros, com uma redução de 20,9% dos prejuízos financeiros para um total de -535,3 milhões de euros».

A «evolução positiva» registada em alguns setores resulta «essencialmente do efeito da liquidação antecipada dos instrumentos financeiros derivados» (swaps), lê-se no documento.

O Boletim Informativo sobre o SEE refere ainda que, durante o primeiro semestre deste ano, foram cancelados 69 contratos swap, com um valor de mercado de «quase 1.500 milhões de euros».

A 30 de junho, existiam 56 contratos swap nas carteiras de 13 empresas, repartidas por cinco setores de atividade, com um valor contratual global de 2.857,9 milhões de euros e perdas potenciais estimadas de 1.609,8 milhões de euros.

Endividamento do Setor Empresarial aumentou 5,9%

O endividamento do Setor Empresarial do Estado aumentou 5,9% no segundo trimestre de 2013 comparativamente ao último trimestre do ano passado, ascendendo a 33,9 mil milhões de euros, segundo um relatório da Direção-Geral do Tesouro e Finanças.

A Refer, a Parpública e o Metropolitano de Lisboa são as empresas com maiores níveis de endividamento, ultrapassando os quatro mil milhões de euros, refere o boletim informativo sobre o Setor Empresarial do Estado (SEE).

Onze empresas concentram a quase totalidade do endividamento do SEE (91,6%): Refer, Parpública, Metropolitano de Lisboa, CP, Estradas de Portugal, Metro do Porto, Parque Escolar, TAP, Carris, EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva) e Águas de Portugal.

O endividamento das Empresas Públicas Reclassificadas (EPR), que produz efeito na dívida pública, subiu 7,1%, para um total de 19,5 mil milhões de euros, enquanto o das Empresas Públicas Não Reclassificadas aumentou 4,3%, para 14,4 mil milhões de euros.

O crescimento do endividamento é justificado sobretudo com a necessidade de pagar o cancelamento antecipado de instrumentos financeiros derivados (swap).

Nas EPNR, o aumento é justificado com a EGREP, com mais 115,6 milhões de euros decorrentes da necessidade de cancelar swaps, e com a CP (88,6 milhões de euros).

Nas EPR, este aumento concentrou-se no setor dos transportes, especificamente no Metropolitano de Lisboa, com 523,3 milhões de euros (12,5%) e no Metropolitano do Porto, com 388 milhões de euros (14,2%), destinados a pagar swaps.

A subida do endividamento das empresas Parpública em 59,7 milhões de euros face ao final de 2012, resultou do efeito conjugado do aumento do endividamento da Parpública em 174,8 milhões de euros com as reduções da Sagestamo (64,6 milhões de euros) e da TAP (42,8 milhões de euros).