O ex-primeiro-ministro irlandês John Bruton afirmou esta quarta-feira que a decisão de terminar o resgate com ou sem programa cautelar é «muito difícil» de tomar, considerando que «Portugal não está exatamente na mesma posição que a Irlanda».

Sem recomendar qual a forma como Portugal deve terminar o atual programa de assistência financeira com a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco central Europeu), John Bruton disse que, no caso da Irlanda, o facto de o país ter optado por uma saída sem programa cautelar «deu um grande impulso na confiança não só dos irlandeses, mas também do exterior em relação à Irlanda».

No entanto, o também ex-ministro das Finanças irlandês deixou um aviso: «É importante perceber que há um preço a pagar por não ter uma linha de crédito cautelar, que é [o país] tem de pedir dinheiro antecipadamente e pagar juros que, na verdade, não está a usar na economia. Por oposição, se houver uma linha cautelar, pode usar esse dinheiro talvez para a criação de emprego», disse Bruton aos jornalistas à margem de uma conferência hoje organizada pela CV&A Consultores, em Lisboa.

O antigo governante irlandês, do Fine Gael, que assumiu o cargo de primeiro-ministro entre 1994-1997, considerou que, no caso de Portugal, «é difícil» dizer qual é a melhor solução e salientou as diferenças face à situação irlandesa.

«Nós já tínhamos uma base muito ampla de investimento direto estrangeiro, já tínhamos as exportações nos 100% do PIB [Produto Interno Bruto]. Portugal não está exatamente na mesma posição do que a Irlanda», cita a Lusa.

Quanto ao caminho que Portugal deve seguir, Bruton entende que é fundamental que o país «continue com um desempenho muito forte nas exportações» e defende que as reformas laborais que estão em curso vão dar frutos «dentro de pouco tempo», nomeadamente na redução dos números de desemprego.

Ainda assim, Bruton advertiu que «a Irlanda demorou 30 a 40 anos para se tornar um tigre celta», recordando que Dublin investiu nos anos 1970 na educação e na captação de investimento direto estrangeiro, mas que só teve efeitos disso no final da década de 1990.