O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse esta terça-feira, em Berlim, que Portugal tem feito grandes esforços e continuará a manter a disciplina orçamental, mas defendeu que a União Europeia também deve fazer mais para combater as desigualdades.

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Intervindo numa conferência organizada pelo jornal Die Welt, Passos Coelho defendeu que Portugal já fez muito, depois de «um caminho muito difícil, iniciado em 2011», e garantiu que, «nesta nova fase», o país continuará concentrado na «disciplina orçamental, em reconquistar competitividade, em reduzir a dívida e no crescimento económico», mas salientou que a Europa também precisa de fazer mais, e mais rapidamente.

«A verdade é que as assimetrias e as desigualdades entre os países aumentaram nos últimos anos, especialmente dentro da zona euro. E não haverá uma União harmoniosa se o centro da Europa continuar a crescer enquanto a periferia estagna ou enfraquece mesmo», disse.

Passos Coelho disse que o problema não é uns países ficarem mais fortes e terem sucesso económico, mas sim não haver igualdade de oportunidades entre os países.

«Em parte, tal é resultado de irresponsabilidades no passado a nível nacional. Isso é inquestionável. Mas a Europa no passado, por distração ou por negligência, também é parte dessa irresponsabilidade», e «deve aprender com os erros cometidos».

Nesse sentido, o primeiro-ministro voltou a defender a necessidade de se avançar decisivamente, e rapidamente, no sentido de uma verdadeira união bancária, uma ideia que já expressara durante a conferência de imprensa conjunta com a chanceler alemã, horas antes, após um almoço de trabalho com Angela Merkel.

Apontando que «os cidadãos e as empresas do sul da Europa sofreram com a fragmentação financeira» de um modo particular, Passos Coelho sustentou que a mesma também «compromete um dos maiores feitos da Europa, o mercado único, cujo propósito inicial era precisamente criar um espaço comum económico sem discriminações geográficas», o que não se verifica atualmente.

«Grandes diferenças no acesso ao crédito e ao custo do crédito colocaram as empresas numa situação de desvantagem competitiva relativamente aos seus parceiros europeus, simplesmente porque acontece que estão do lado errado da fronteira. Isto é inaceitável», disse, citado pela Lusa.

Apesar das críticas, Passos Coelho, no início da sua intervenção, reconheceu que já foram feitos avanços consideráveis na Europa ao longo dos últimos anos, e, lembrando a sua anterior visita a Berlim, em janeiro de 2012, disse que «muito mudou na Europa, na Alemanha e em Portugal desde então».

«Outras coisas permaneceram iguais: a chanceler Merkel e eu continuamos chefes de governo, e a Alemanha e Portugal vão voltar a defrontar-se num Mundial, e esperemos que desta vez ambas as equipas possam seguir em frente», disse, referindo-se ao facto de as duas seleções disputarem o mesmo grupo no Campeonato do Mundo do Brasil, em junho próximo.

Na conferência do Die Welt participam também, entre outros, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, e o ministro espanhol da Indústria, Juan Manuel Soria, perante uma plateia de empresários e políticos alemães.