O coordenador do International Dockworker Council (IDC), numa carta aberta dirigida a Passos Coelho, ameaça com ações que podem ter impacto sobre a «frágil economia» portuguesa, caso não seja alcançado um acordo com os estivadores portugueses.

Nesta quarta-feira, inicia-se no Chipre a reunião internacional da organização dedicada este ano à «luta laboral dos estivadores portugueses», em que participa António Mariano, dirigente do Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal.

Entretanto, o coordenador do IDC, Anthony Tetard, numa carta aberta dirigida ao chefe do executivo português, Pedro Passos Coelho, e ao ministro da Economia, António Pires de Lima, e a que a agência Lusa teve acesso, defende os interesses dos estivadores portugueses e sublinha que a «paciência está a chegar ao limite», mas que espera que haja ainda «capacidade para a tomada de medidas necessárias» por parte do Governo português, para um «acordo comum».

«Queremos informar-vos que, se tal não for o caso, todos os membros do IDC - que irão realizar uma assembleia nos dias 18 e 19 de setembro em Chipre - vão decidir sobre ações específicas. Estas ações irão seguramente ter impacto sobre os lucros dos empresários portuários, em particular, e sobre a frágil e sensível economia portuguesa, em geral, a menos que o Governo desempenhe o seu papel ao reforçar os direitos dos estivadores portugueses e termine com estes ataques inaceitáveis contra as regras de trabalho portuário e a essencial dignidade da profissão dos estivadores», escreve Tetard.

De acordo com Tetard, a nova legislação portuguesa de trabalho portuário «retalha» os postos de trabalho dos estivadores, «aniquila» o direito dos estivadores a carteira profissional, «dissemina» a precariedade, «pressiona» no sentido de «salários de miséria» e tenta «demolir a segurança do emprego e as condições de trabalho dos estivadores, em largo detrimento das condições de segurança e da qualidade do trabalho, benefícios sociais e organização sindical».

«O único objetivo é servir os poderosos interesses do capital, sob a pressão da troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e União Europeia), por forma a destruir a qualidade de vida dos estivadores portugueses», escreve o dirigente do IDC.

Na mesma carta, Anthony Tetard escreve ainda que as todas informações sobre a situação portuguesa «vão ser enviadas para cada porto à volta do mundo que mantenha relações comerciais com Portugal» e recorda que na última reunião realizada em Liverpool, Reino Unido, em julho passado, foi feito «um último apelo» ao executivo de Lisboa e aos empresários de movimentação de cargas portuárias.

«As ações em concreto, só vão ser decididas amanhã [quarta-feira], mas cada uma das delegações já está a ser consultada sobre possíveis ações de apoio e de solidariedade em cada porto. Em todo o caso, as moções sobre as ações de apoio aos estivadores portugueses só vão ser discutidas e votadas amanhã», disse hoje à noite à Lusa Susana Buscket, da organização da assembleia que começa quarta-feira no Chipre e que se prolonga durante dois dias.