O primeiro-ministro concordou e citou mesmo o Presidente da República nas suas declarações sobre a dívida pública portuguesa, negando que a mesma seja insustentável.

Falando no debate quinzenal no Parlamento, e em resposta ao deputado comunista Jerónimo de Sousa, Pedro Passos Coelho foi perentório: «Insustentável? Não concordo».

Também a deputada do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse que «há um elefante no meio da sala: chama-se dívida. Que é impagável».

«Não considero que a dívida pública portuguesa seja insustentável. Se achasse, como primeiro-ministro de Portugal teria de solicitar uma reestruturação da dívida», disse Passos Coelho, sublinhando que «não é isso também o que pensam os nossos credores externos».

Nesta fase, Passos não só concordou com o Presidente da República, como citou mesmo Cavaco Silva ao dizer que, de facto, é «masoquismo» dizer que a dívida pública portuguesa é insustentável.

«Se aqueles que têm mais interesse em receber o dinheiro (os credores externos) acreditam que é possível e que nós vamos conseguir, porque razão havemos nós de dizer o contrário?», questionou.

Passos sublinhou que «o rácio líquido da dívida pública é inferior a 120% do produto Interno Bruto (PIB)» e que a mesma «vai descer a partir de 2014».

Sobre a meta de défice, Passos admitiu que «não foi possível consensualizar com a troika» a meta para 2014, que o Governo queria alterar de 4 para 4,5% do PIB.

«Não conseguimos convencer a troika que a meta era igualmente credível, dada a desconfiança da troika que isso pudesse ser interpretado pelos mercados financeiros como um sinal de indisciplina ou menor compromisso».

O primeiro-ministro mostrou-se ainda otimista quanto ao cumprimento do programa de ajustamento, ao afirmar que é sua «convicção que temos praticamente todas as condições reunidas para podermos concluir este programa com sucesso».