O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, excluiu esta segunda-feira a necessidade de um segundo resgate e negou que tentações eleitorais influenciem a decisão sobre a forma de saída do atual Programa de Assistência Económica e Financeira.

«Nós temos, por exemplo, praticamente assegurado o financiamento para o ano de 2014 e estamos já a preparar-nos para fazer pré-financiamento para 2015. Portanto, não podemos comparar a situação em que o país esteve mergulhado em 2011 com aquela em que estamos hoje», declarou Pedro Passos Coelho, citado pela Lusa.

«A questão, portanto, não é a de saber se podemos evitar um segundo resgate com a ajuda do PS, porque nós não precisamos de um segundo resgate», acrescentou o primeiro-ministro, em declarações aos jornalistas, no final de uma visita ao Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas (SISAB), em Lisboa, que durou perto de duas horas e meia.

No que respeita à forma de saída do atual programa de resgate, chefe do executivo PSD/CDS-PP reiterou que a opção entre ter ou não «uma linha cautelar» será discutida «a seu tempo».

Questionado sobre eventuais tentações eleitorais relacionadas com essa decisão, respondeu: «Não há tentações nenhumas. Nós temos tido ao longo deste período muitas vezes o ónus de não nos termos preocupado com as eleições. Temos procurado ao longo de todo este tempo pensar no futuro do país, e é assim que continuaremos».

Quanto à necessidade ou não de um acordo do PS sobre a forma de saída do atual programa de resgate, Pedro Passos Coelho considerou já ter esclarecido esta questão anteriormente, apontando a convergência com os socialistas como «recomendável», mas não obrigatória.

Segundo o primeiro-ministro, «quando um Programa de Assistência Económica e Financeira é solicitado, a convergência entre os partidos do arco do poder é indispensável, não pode acontecer de outra maneira» e «se em 2011 o PSD e o CDS-PP não se tivesse comprometido com o Programa de Assistência Económica e Financeira, estando na oposição, esse programa não se teria concretizado».

«O que significa, portanto, que não só era desejável, como era obrigatório ter essa exigência. Não é assim com uma linha cautelar como não é assim com o regresso aos mercados, não é obrigatório, o que não quer dizer que não seja recomendável», prosseguiu, concluindo: «Aquilo que compete ao Governo é procurar explorar essa convergência e esse consenso. Podemos não o conseguir, mas não deveremos deixar de procurar essa convergência».