O primeiro-ministro afastou esta quarta-feira no Parlamento, durante o debate quinzenal, a necessidade de um segundo resgate internacional, quando o atual programa terminar, em junho no ano que vem. Pedro Passos Coelho garantiu que o Executivo está «muito comprometido» na conclusão do atual programa, porque «é isso que os portugueses esperam deste Governo».

«Eu já respondi que não considero que Portugal precise de um segundo resgate», disse Passos Coelho em resposta ao líder do PS, António José Seguro.

O líder socialista questionava o primeiro-ministro sobre as declarações do ministro da Economia em Londres, onde Pires de Lima disse que o Governo queria começar a negociar com Bruxelas um programa cautelar nos primeiros meses do ano que vem.

«O senhor ministro da Economia disse o que eu já disse e o que o vice-primeiro-ministro já disse: Esperamos terminar o programa de assistência financeira sem recorrer a nenhum outro».



«Nesta altura não só não se está a fazer nenhuma negociação como não se está a preparar nenhuma negociação sobre isso», reiterou.

«Eu não sei se haverá essa necessidade. Se houver e for preciso encontrar um mecanismo de forma apoiada não deixaremos de o fazer para o país», adiantou ainda.

Passos Coelho não quis falar dos cenários possíveis para além do fim do programa de assistência em vigor, mas assumiu que Portugal estará atento ao que a Irlanda fizer quando concluir o seu programa de assistência financeira. A Irlanda termina o seu programa seis meses antes de Portugal e deverá assegurar junto de Bruxelas um programa cautelar, que se espera que sirva de precedente para Portugal.

«Estaremos atentos para saber o que é do interesse da Irlanda fazer nessa matéria. No dia em que nós estivermos em condições de poder estar a fechar o nosso programa, nessa altura falaremos de detalhes para saber se é um programa cautelar o que é preciso, ou se é outra coisa na assistência que viermos a necessitar para termos pleno acesso a mercado», disse o chefe do Executivo em resposta à bancada do Bloco de Esquerda.

João Semedo, que inaugurou o debate quinzenal, disse que Passos Coelho não tem «legitimidade política nem democrática» para «querer impor ao país» um eventual programa cautelar, um segundo resgate ou «chame-se o que chamar».

Já esta manhã, durante uma reunião de concertação social, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse aos parceiros sociais que Portugal terá de ter um programa cautelar para poder regressar aos mercados no ano que vem. A revelação foi feita pelo presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), à saída da reunião.

Também a ministra das Finanças, que esteve esta manhã no Parlamento, admitiu que Portugal terá «algum apoio» no regresso aos mercados.