A organização humanitária Oxfam divulgou esta segunda-feira o relatório conclusivo do estudo «Governar para as Elites - Sequestro Democrático e Desigualdade Económica». O estudo revela que a riqueza concentrada nas mãos das 85 pessoas mais ricas do mundo é equivalente aos recursos da metade mais pobre da população mundial.

De acordo com o relatório, a concentração massiva de recursos desencadeia um «sequestro democrático» já que os governos estão a servir uma elite com base em «políticas fiscais injustas e práticas corruptas» que prejudicam a maioria dos cidadãos.

A Oxfam acredita que «as tensões sociais e o aumento de rutura social» são inevitáveis porque o poder económico e político está «a separar cada vez mais as pessoas». O estudo da organização conclui que aproximadamente metade da riqueza mundial se concentra em apenas 1% da população. «Mesmo em países considerados mais igualitários, como a Suécia e a Noruega», a tendência para a concentração de riqueza continua a aumentar.

Embora Portugal não conste nos países selecionados para o estudo da Oxfam, em 2013 fazia parte do «Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013» organizado pela Wealth X, empresa que elabora perfis dos mais ricos para os profissionais das finanças. Entre os países Europeus, Portugal ocupava o 12º lugar no ranking dos «ultramilionários», atendendo ao número unitário de fortunas.

Em dezembro do ano passado a revista Exame noticiava que os mais ricos de Portugal viram as suas fortunas valorizarem em 16 por cento face ao ano anterior. Se em 2012 os valores somavam 14,4 mil milhões de euros, em 2013 aumentavam para 16,7 mil milhões.

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Não deixa de ser curioso que na lista dos 25 homens mais ricos de Portugal elaborada pela revista Exame em 2009, as fortunas à data tenham caído 8,5 por cento face ao ano anterior. Em 2008 tinham caído 15,9 por cento em relação a 2007. O ano de 2008 foi o segundo ano consecutivo que assistiu a uma queda, contrariando a inclinação positiva dos quatro anos anteriores. Em 2010, já com a crise da dívida pública a afetar os países mediterrânicos, as fortunas voltaram a aumentar e essa tendência progressiva manteve-se até ao ano passado.